segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Editoria Caleidoscópio

X Congresso de Jornalistas da Bahia


Cláudia Correia

Participei de 26 a 28 de novembro, aqui em Salvador, do X Congresso de Jornalistas da Bahia, com o tema : “ Do analógico ao digital: novos desafios após a decisão do STF sobre o diploma”.
A programação foi da maior qualidade, com oficinas, painéis e lançamento de livros, mas a participação da categoria uma lástima: contei 34 pessoas, incluindo a estudantada sempre curiosa. Metade da plenária veio de municípios do interior como Juazeiro, Barreiras e Teixeira de Freitas onde as precárias condições impõem um ritmo de trabalho desumano para os colegas. Temos hoje no estado, 23 cursos de graduação em Jornalismo, baixos salários, jornadas aviltantes e uma competição perversa.
As oficinas do Congresso abordaram: newsletters, fotojornalismo e Jornalismo e Sustentabilidade, a minha escolhida. Estou muito interessada no tema da responsabilidade sócio-ambiental e de experiências bem sucedidas e sérias nesta área que mereçam cobertura.
Os painéis trataram sobre: A luta pela retomada do diploma, a organização dos jornalistas baianos, ensino do jornalismo e mercado de trabalho e impactos das novas tecnologias no trabalho profissional.
A palestra “Imprensa Negra” rendeu um excelente debate e reuniu jornalistas militantes da luta pela igualdade racial, como Dalmo Oliveira, da Paraíba e Cleidiana Ramos, Mestranda em Estudos Étnicos e Editora do Caderno Especial sobre negritude do jornal baiano A TARDE.

O que mais me chamou atenção foi a criação das COJIRA’s Comissões de Jornalistas pela Igualdade Racial, já em atividade em Alagoas, Bahia e outros estados. Uma estratégia de articulação política muito interessante já que a grande mídia reforça o preconceito contra os negros com coberturas que estigmatizam e violam direitos humanos. Vou me inteirar mais sobre a experiência. Aqui existe um coletivo de jornalistas que mantém o “Correio Nagô”, www.correionago.com.br , do qual sou colaboradora. Eles formam a “Mídia Étnica” e possuem vários projetos interessantes em rádio, webjornalismo e outras praias.
Estranhei a ausência de um debate mais profundo no Congresso sobre as propostas do Sindicato dos Jornalistas da Bahia- Sinjorba e da Federação Nacional dos Jornalistas- FENAJ para a Conferência Nacional de Comunicação , de 14 a 17 de dezembro, em Brasília. Precisamos ficar atentos para fazer alianças e defender na Confecom propostas que assegurem a democratização da comunicação e o lobby contrário dos empresários do ramo é poderoso. Por aqui, apesar do esforço do Sinjorba, que foi eleito delegado para a Confecom, a categoria não aderiu ao debate como deveria.
Acredito que toda esta polêmica em torno da desregulamentação da profissão de jornalista e a decisão absurda do Supremo Tribunal Federal de abolir o diploma é parte de um plano mais audacioso, envolve interesses políticos e econômicos que estão muito distantes da defesa da liberdade de expressão democrática. Não podemos ser ingênuos ou partir para o contra-ataque sem aliados. Defender o diploma para jornalistas é defender o direito à informação de qualidade, condição indispensável à plena cidadania e ao Estado democrático de direitos. Está tramitando no Senado uma PEC que tenta reverter a decisão do STF mas a briga só está começando....
Este congresso baiano me deixou ainda mais curiosa com os desdobramentos da Confecom porque a expectativa é grande no sentido de criarmos os conselhos de comunicação para exercerem o controle social sobre a política pública de comunicação. O da Bahia, segundo promessa do governador Jaques Wagner, sai em 90 dias. Mas, sabemos que esta decisão depende da aprovação da Assembléia Legislativa. Aqui ainda temos muitos políticos vinculados aos veículos de comunicação que há anos, exercem o monopólio, como o grupo da TV Bahia, de propriedade do ex-senador Antonio Carlos Magalhães, o famoso “Toninho Malvadeza”.
Vamos seguir brigando....




Claudia Correia, assistente social, jornalista, Profa. ESSUCSal, Mestra em Planejamento Urbano. ccorreia6@yahoo.com.br

domingo, 29 de novembro de 2009

Editoria Web@Tecno

Internet – O « direito ao esquecimento »


Com um sugestivo título « Lembre-se de me esquecer», foi publicado em 12 de novembro uma matéria no jornal francês Libération acerca de um projeto de lei que versa sobre o direito à proteção do anonimato dos internautas na França. Trata-se de um projeto polêmico, para uns impraticável e condenado ao insucesso. No entanto, o tema é objeto do estudo e de medidas por parte da Secretaria de Economia Digital.

Prós e contras

O que está em jogo e inquieta internautas e algumas autoridades é o problema dos dados pessoais, que ficam disponibilizados por tempo indeterminado na rede e são objetos de uso diverso, como por exemplo malas diretas para campanhas de marketing. Os jovens seriam, de certa maneira, o segmento mais exposto, pois lançam informações na Net corajosa e muitas vezes irrefletidamente. O projeto em discussão preveria, assim, o direito a cada cidadão de suprimir seus dados pessoais, voluntariamente publicados ou captados à sua revelia, os quais possam comprometer a sua vida pessoal, social ou profissional. O reivindicado « direito ao esquecimento digital » consistiria na possibilidade de apagamento de dados, em circulação na Internet, relativos desde um processo judiciário até fotos da pessoa em questão em estado de nudez publicadas por um «ex» vingativo. Um simples endereço ou telefone disponível na rede pode, por exemplo, ser bastante inconveniente para uma celebridade, mas uma chance para um empresário.

A flexibilidade certamente deve orientar a matéria, porque os limites do que incomoda ou preocupa as pessoas não sao universais, mas variam, inclusive, de acordo com a idade, alertam especialistas em direito e comércio. O critério do que é « privado » não é objeto da mesma compreensão e sentimento aos 15 e aos 60 anos, donde a dificuldade de estabelecer uma « legislação global ». Por isso mesmo, a secretária de estado responsável prefere falar em « carta de compromisso ». Até o momento, não há nenhuma legislação na França que assegure o « direito ao esquecimento ». Em 1978, havia sido aprovada uma lei que tangencia o tema, chamada « Informática e liberdades », mas seu teor era sobretudo técnico e nada explícito quanto à duração da conservação de informações e dados.

Uma outra dificuldade de gerir e controlar os abusos tem a ver com o fato de que muitas vezes a pessoa que se sente lesada pertence a um país, enquanto o provedor está registrado em outro, logo não está sujeito às mesmas regras e legislação. Vê-se, portanto, que começa a aflorar a necessidade de parâmetros, mais que éticos, legais em escala internacional para orientar as práticas no Web-mundo, todavia impoõe-se, da mesma maneira, estruturas supranacionais com poder de arbitragem. Hannah Arendt, em seu estudo sobre As Origens do Totalitarismo, já havia se dado conta do vácuo jurídico e moral que se fazia no âmbito do cumprimento da legislação internacional, quando a operacionalização depende dos Estados-nações. Ela pensava na ocasião, em particular, nos refugiados, apátridas e párias, que, obrigados a fugir do país de origem, nem sempre encontravam asilo num outro, por questões de relações diplomáticas, políticas e econômicas entre os países envolvidos. Trata-se dos « filhos de ninguém », bastardos de sua própria cidadania civil e política. Hoje existe para dar conta de casos de lesa-humanidade o Tribunal Penal Internacional. Talvez se devesse pensar em algo equivalente, mas em escala menor, sobretudo de natureza administrativa e jurídica, para julgar e coibir os casos de abusos dos direitos individuais « digitais ».

Uma das propostas concretas para o problema dos dados pessoais seria considerar o endereço IP como uma informação privada, porém, alegam outros especialistas, que se trata de uma máquina e não de uma pessoa física. Outra proposta – inviável na prática – seria a de que os sites solicitassem a autorização do cliente, quando do uso de informações estocadas, mais o esclarecimento a respeito da finalidade da sua coleta. Outras avançam na direção de um sistema de labelização da segurança, em que se garantisse, ao mesmo tempo, que o internauta permaneceria anônimo e que poderia estar seguro disso; num outro nível, haveria um número atribuído ao internauta, uma espécie de certificado digital que provasse se tratar de um adulto; e por fim, uma identidade numérica que correspondesse exatamente à identidade civil.

A questão do anonimato é também objeto de controvérsias, sobretudo em tempos de redes internacionais de pedofilia, no entant pode ser considerada uma retaguarda por parte daqueles que dele se utilizam como estratégia de resistência e combate contra ditaturas ou a limitações do direito de livre expressão.

Dever de memória

Caberia aos historiadores se manifestar a respeito, pois o trabalho deles pressupõe o direito à informação arquivada. Então, pode-se alegar em contrapartida do direito ao esquecimento o dever de memória. Há quem veja, por sua vez, nessa valorização da memória a mistificação do passado para fugir ao presente, desviando-se do futuro. De outro ângulo, o recurso permanente à memória conduziria a um « presente eterno », acabando com a consciência histórica. Por fim, há os que simplesmente recomendam, como maior e melhor defesa dos direitos individuais, um uso prudente da Internet.

Mione Sales é assistente social, professora (FSS/Uerj), doutora em Sociologia e graduada em Literatura Comparada. E-mail: mionesales@gmail.com 

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Editoria Equipe Blog Mídia e Questão Social

Pelo direito ao tempo da reflexão



Queremos brindar os nossos blog-leitores com um artigo de Olgária Matos sobre a universidade brasileira, originalmente publicado no jornal O Estado de São Paulo (15/11/2009). Os problemas por ela apontados não nos são exclusivos, pois em alguma medida reproduzem-se mundo afora no contexto da neoliberalismo. O que nos é próprio tem sido até então a falta de reação coletiva ao que vem se transformando a universidade pública desde há pelo menos uma década.

Eis que a filosofia vem em socorro dos "desesperate" docentes, compelidos a produzir teoricamente como quem aperta botões. Com todo respeito aos que apertam botões, ensinar, refletir e pensar não obedece, ou pelo menos não deveria, ao ritmo das esteiras rolantes e à rapidez das máquinas que ameaçam decepar dedos menos ágeis.

O problema nisso tudo é que há no mundo universitário quem aderiu à « roda-viva » da competição acadêmica desenfreada que isso acarretou - iniciada pela política universitária de FHC e Paulo Renato, sob a égide do mito da avaliação institucional -, enxergando-lhe os méritos e defendendo-a, cultivando, assim, uma era de novas hierarquizações.

O blog Mídia & Questão Social posiciona-se em favor do ensino, pesquisa e extensão de qualidade, pelo investimento docente e discente no saber, mas combinado também ao aspecto humano da liberdade e vocação científica, ou como diria Olgária Matos, à « felicidade do conhecimento ».


Abraços,


Equipe do blog Mídia & Questão Social
:::::::::::::::::::::::::::::::::::

O crepúsculo dos sábios

Olgária Matos

O conceito de universidade moderna e a natureza do conhecimento que ela produziu até os anos 1960 tinham por objetivo formar o cientista.  Este representava o "mestre da verdade", porque capaz de compreender seu ofício na complexidade dos saberes e da história. Sua autoridade procedia de sua palavra pública, pela qual se fazia responsável. O cientista era o intelectual, e para ele a pesquisa não correspondia a uma profissão, mas a uma vocação. O conhecimento mantinha sua autonomia com respeito às  determinações imediatamente materiais e do mercado. Sua temporalidade - a da reflexão - compreendia-se no longo prazo, garantidora da transmissão de tradições e de suas invenções.

A universidade pós-moderna, por sua vez, converte pesquisa em produção, constrangendo-se à pressa e à produtividade quantificada do conhecimento, adaptando-se à obsolescência permanente das revoluções técnicas, promovidas pelas inovações industriais segundo a lógica do lucro. A temporalidade do mercado confisca o tempo da reflexão, selando o fim do papel filosófico e existencial da cultura. (…) A universidade moderna elevava a sociedade aos valores considerados universais no concerto das nações que procuravam uma linguagem comum ao patrimônio cultural de toda a humanidade, devolvendo-o à sociedade com seus maiores cientistas e seus melhores técnicos.

(…) A universidade pós-moderna é a da indiferenciação entre pesquisa e produção. O intelectual cultivado foi destituído - em todos os domínios do conhecimento - pelo especialista e seu conhecimento
particularizado, cujo contato com a tradição cultural é episódico ou inexistente. Seu discurso não diz mais o "universal" e se limita a formulações técnicas, perdendo-se o sentido do conhecimento e seus fins últimos, com a passagem da questão teórica "o que posso saber" para a pragmática "como posso conhecer". Pra Gunther Anders, o emblema da conversão do intelectual em pesquisador, da razão crítica em desresponsablização ética e racionalidade técnica, foi Fermi na Itália e Oppenheimer nos EUA, cujas pesquisas sobre a bomba atômica foram tratadas por eles em termos estritamente técnicos.

A universidade pós-moderna não lida mais com as "grandes narrativas" nem busca a fundamentação do conhecimento (…) Nada aprofunda, produzindo uma cultura da incuriosidade, imune ao maravilhamento. Em sua pulsão antigenealógica, acredita que tudo o que nela se desenvolve deve a si mesma, não reconhecendo nenhuma dívida simbólica com as gerações passadas. Essa circunstância, por sua vez, pode ser compreendida no âmbito da massificação da cultura e da universidade.

Com a ditadura dos anos 1960 no Brasil, a universidade pública moderna - concebida de início para formar as elites governantes, a partir do ideário de universidade cultural, científica e com suas áreas técnicas - começa sua desmontagem (... ) Face ao ideário moderno baseado no mérito de cada um e não mais no sistema nobiliárquico do nascimento, e sua incompatibilidade com a desigualdade real de oportunidades para a ascensão social, a universidade pós-moderna questiona, contrapondo-os, mérito e igualdade, reconhecendo no primeiro a manutenção do regime de privilégios e distinções do passado.

Assim, a universidade atual adapta-se à fragilidade do ensino fundamental e médio, passando a compensar as deficiências dessa formação. Para isso, a graduação retoma o ensino médio, a pós-graduação a graduação, o doutorado o mestrado, cuja continuidade é o pós-doutorado, tudo culminando na ideia da "formação continuada" e de avaliações permanentes. (…) A iniciação científica se faz para estudantes em preparação para a vida universitária adulta, mas constrangidos a publicações precoces. O paradoxo é grande, uma vez que, maiores as carências nos anos de formação do estudante - como a precariedade no acesso à bibliografia em idiomas estrangeiros e dificuldades de expressão oral e escrita na língua nacional -, mais estreitos são os prazos para a conclusão de mestrados e doutorados. Prazos e métodos, por sua vez, migram das disciplinas científicas para todos os campos do conhecimento, sob o impacto do prestígio da formalização do pensamento (…).Acrescente-se o abandono da ideia de rigor na escrita e o fim do estilo, com o advento do gênero paper e a multiplicação de congressos no mundo globalizado.

Massificada a cultura, proliferaram, com a ditadura militar, a privatização do ensino e seu barateamento, as universidades particulares - salvo as exceções de praxe - prometendo ascensão social e acesso ao "ensino superior" e decepcionando suas promessas. A universidade moderna que a antecedeu garantia o exercício da formação especializada e se encontrava na base dos cursos técnicos com formação humanista para todos os que não se encaminhavam para a pesquisa, devendo atender à profissionalização, mas também à felicidade do conhecimento.

A emergência da universidade pós-moderna diz respeito ao abandono dos critérios consagrados até então a fim de democratizá-la. Mas a democratização pós-moderna é massificação. A sociedade democrática comportava diversas representações das coisas: os partidos representavam as diferentes opiniões, os sindicatos os trabalhadores, a Confederação das Indústrias os empresários. Na sociedade pós-moderna, o consenso é produzido pela mídia e suas pesquisas de opinião, através da eficiência persuasiva da televisão, que primeiramente cria a opinião pública e depois pesquisa o que ela própria criou. Razão pela qual massificação significa perda da qualidade do conhecimento produzido e transmitido, adaptado às exigências de massas educadas pela televisão, com dificuldade de atenção e treinadas para a dispersão, mimadas por uma educação que se conforma a seu último ethos.

A cultura pós-moderna é a da "desvalorização de todos os valores". Sua noção de igualdade é abstrata, homóloga à do mercado onde tudo se equivale. Em meio à revolução liberal pós-moderna, a universidade presta serviços e se adapta à sociedade de mercado e ao estudante, convertido em cliente e consumidor, como o atesta a ideologia do controle dos docentes por seus alunos.

Em seu ensaio Filosofia e Mestres, Adorno diz, temendo incorrer em sentimentalismo, que o conhecimento exige amor. Sua universidade, a de Frankfurt, era moderna, humanista, como era humanista o professor de uma fita italiana dos anos 1970. No filme, estudantes impedem o franzino docente de literatura românica com seus compêndios eruditos de entrar na sala de aula onde discutem questões do curso. Sentado em um banco, o mestre escuta o vozerio e ruídos de cadeiras sendo arrastadas. Por fim é chamado e, quando entra, os estudantes em suas carteiras estão em círculo, e o professor senta-se entre eles. Discutem então o que o professor deveria ensinar-lhes. Como não chegam a nenhum consenso e o dia se faz crepuscular, decidem finalmente deixar que o professor se manifeste. Ao que o professor, retomando seu lugar junto à lousa e diante de todos, anuncia: "Estou aqui para ensinar a vocês a beleza de um verso de Petrarca".

Metáfora rigorosa para a educação, da escola maternal à universidade, o conhecimento, como escreveu Freud, é uma das tarefas mais nobres da humanidade no longo processo de sua humanização.


Olgária Matos é professora de filosofia da USP.

[Fonte: jornal O ESTADO DE SÃO PAULO, domingo, 15 de novembro de 2009]

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Editoria Web@Tecno

Descubram o “Observatório do Direito à Comunicação”.

Nas buscas que fiz durante a semana, no mundo Web, encontrei zilhões de coisas a dividir com vocês. Como não dá para ser tudo de uma só vez, o melhor a fazer é dispor desse pequeno espaço de tempo para pensar mais sobre a escolha. Então, dessa maneira, acaba dando tudo certinho.

Como estamos já próximos da I Conferência Nacional de Comunicação, que acontecerá em Brasília de 14 a 17, achei muito oportuno que buscássemos algum endereço eletrônico que pudesse ampliar mais o nosso olhar sobre a comunicação, em nosso país.

Acessei então um portal interessantíssimo, que trata do direito à comunicação: o Observatório do Direito à Comunicação. Esse portal traz em seu conteúdo a produção da informação e o estímulo ao debate sobre comunicação no Brasil.

Ele é um projeto realizado pelo Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social. O Observatório traz como seu principal objetivo a criação de um ambiente de acompanhamento e reflexão sobre o campo da comunicação, enquanto um direito humano. Pode-se encontrar nele, reunidas e organizadas referências sobre o tema, com o acompanhamento da conjuntura do setor, com a apresentação diária de novos fatos, versões e análises críticas para nós leitores.

A comunicação é abordada numa perspectiva ampla, dentro de um leque que vai desde políticas culturais às questões relativas à propriedade dos meios, até a mais recente discussão sobre a convergência tecnológica e a digitalização da mídia.

Há ainda disponíveis matérias, análises, dossiês e estudos exclusivos que pode nos dar subsídios para uma visão plural sobre o setor.

Encontra-se ainda no Observatório uma biblioteca com documentos, pesquisas e legislação, arquivos de áudio e vídeo, além da “sistematização” das notícias veiculadas nos principais veículos especializados.

Este portal encontra-se em São Paulo. A Equipe tem na Editoria, Cristina Charão; como Repórter, Jacson Segundo; no Conselho Editorial, Bia Barbosa, Bráulio Ribeiro, Jacson Segundo, Jonas Valente, Lídia Neves, Rachel Bragatto e Sivaldo Pereira; o Desenvolvimento fica a cargo do Grito AD e tem o Apoio da Fundação Ford.

Enfim, ta aí a dica dessa semana. Mas, não poderia deixar de reproduzir um vídeo sobre o direito à comunicação, produzido pelo Intervozes Coletivo Brasil de Comunicação Social, com o apoio da Fundação Friedrich Ebert Stiftung, o qual retrata a concentração dos meios de comunicação existente no Brasil.



Intervozes - Levante sua voz from Pedro Ekman on Vimeo.


Roteiro, direção e edição: Pedro Ekman
Produção executiva e produção de elenco: Daniele Ricieri
Direção de Fotografia e- câmera: Thomas Miguez
Direção de Arte: Anna Luiza Marques
Produção de Locação: Diogo Moyses
Produção de Arte: Bia Barbosa
Pesquisa de imagens: Miriam Duenhas
Pesquisa de vídeos: Natália Rodrigues
Animações: Pedro Ekman
Voz: José Rubens Chachá

CC - Alguns direitos reservados


Você pode copiar, distribuir, exibir e executar a obra livremente com finalidades não comerciais.
Você pode alterar, transformar ou criar outra obra com base nesta.
Você deve dar crédito ao autor original.


Um abraço,

Nelma Espíndola – Assistente Social.
E-mail: nelmaespindola@gmail.com.br

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Editoria Caleidoscópio Baiano

Estradas e descaminhos

Claudia Correia

A Política Pública de Atenção à criança e ao adolescente no Brasil ainda não conseguiu assegurar as conquistas do Sistema de Garantia dos Direitos previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente- Eca.
Mesmo correndo o risco de repetir clichês, temos pouco a comemorar neste aniversário de 19 anos do Eca.
Os Conselhos de Direitos e Tutelares sobrevivem às custas da dedicação militante de profissionais e gestores, sem o necessário respaldo do Poder Público, o financiamento da política depende dos fundos majoritariamente mantidos por doações do empresariado, a burocracia e a desarticulação entre os diversos atores sociais envolvidos na área precarizam o funcionamento da rede de serviços sócio-assistencial e por aí vai.
Quando o assunto é violência sexual infantil, a mídia tem divulgado dados alarmantes incluindo crimes de pedofilia, abusos e agressões domésticas, sem falar na exploração e na perversa erotização das crianças através dos meios de comunicação fruto de uma cultura machista dominante.
Recentemente a Policia Rodoviária Federal - PRF divulgou o resultado do seu mapeamento, identificando a existência de 1.819 pontos vulneráveis à exploração sexual de crianças e adolescentes nas estradas brasileiras.. Ou seja, a cada 26,7 quilômetros, bares, postos de gasolina, boates, restaurantes e acostamentos, servem de palco para a comercialização de crianças, na sua grande maioria meninas de famílias pobres, para atividades de prostituição, sob a conivência de autoridades e empresários.
Esta é a quarta edição do mapeamento feito em parceria com a Organização Internacional do trabalho – OIT. Os estados de Minas Gerais e Rio Grande do Sul lideram a lista dos trechos mais críticos. Considerando a extensão das vias, Distrito Federal, Rio Grande do Norte e São Paulo apresentam a situação mais crítica, com um ponto vulnerável a cada 14,8 quilômetros.
As causas mais comuns para este fenômeno são a falta de perspectiva de emprego e renda, maus tratos e imposição familiar.
A PRF prepara uma campanha de conscientização e uma cartilha para motoristas de todo o país, a serem lançadas o ano que vem.
Mas e até lá o que pode ser feito? A impunidade reproduz a violência, o silêncio que protege os aliciadores e criminosos mantém este cenário inalterado. As Polícias Rodoviárias Estaduais, exceto a de Pernambuco, não possuem este levantamento atualizado e tendem a calar-se diante dos fatos. Os órgãos que atuam no combate à exploração sexual infantil não abordam a questão profundamente e de modo articulado.
Qual o papel dos Conselhos de direitos e Tutelares neste processo? Por que a sociedade não denuncia os violadores da lei?
Os descaminhos da Política de Proteção à criança e ao adolescente desafiam todos nós e condenam o futuro de gerações, que vivem à margem da sociedade, em estradas que conduzem a lugar nenhum.
Leia mais sobre o assunto em
www.promenino.org.br ou www.andi.org.br onde a Agência de Notícias do Direito da Infância – Andi disponibiliza o Guia de Referência para o Diálogo com a Mídia sobre a exploração sexual infantil. Confira o Guia em anexo.









Claudia Correia, assistente social, jornalista, Profa ESSUCSal, Mestra em Planejamento Urbano. ccorreia6@yahoo.com.br

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Especial – Dia da Consciência Negra


Caros blog-leitores,

Hoje é feriado e dia de festa em homenagem a Zumbi dos Palmares, mas é dia também de memória. Não podemos esquecer que ainda é longa a tarefa de reparação social e humana do que foi a experiência histórica da escravidão no Brasil e no mundo colonial.

Nós do blog M&QS, queremos homenagear toda a população afrodescendente do Brasil e o rico e diverso movimento que a representa por meio da apresentação aos nossos leitores de um site, onde é possível ter acesso a uma lista de pesquisadores brasileiros negros - (cujo link é facilmente visível). Ali fica-se conhecendo os seus temas, filiação institucional e e-mail para contatos. Trata-se do site http://www.mulheresnegras.org. « Do umbigo para o mundo », que decididamente está mais para o mundo do que para o umbigo.

O M&QS navegou por entre as suas páginas e pode conferir quão é atual e interessante. Podemos todos, a partir dele, ter uma ideia de como esse movimento, apesar dos silêncios e oposição da grande mídia, está se ampliando, qualificando e enriquecendo teórica e politicamente. Fica aqui o nosso convite, mas também o nosso apoio e felicitações.

Convidamos vocês também a ler o artigo abaixo, originalmente publicado pela Agência Carta Maior, que faz um balanço sobre a (in)visibilidade do debate de cotas na grande imprensa.

"Quando o nego chegou por aqui
Era mais vivo e ligeiro que o saci
Varava estes rios, estas matas, estes campos sem fim
Nego era moço e a vida, um brinquedo prá mim..."

(Ary Barroso)

Pelo resgate dessa liberdade genuína, como fruição de direitos e de uma cidadania plena da população afrodescendente no Brasil,

Equipe do Blog Mídia & Questão Social


Colunistas, 17/11/2009

A grande mídia e a desigualdade racial

Pesquisa do Observatório Brasileiro de Mídia revela posicionamento contrário de grandes revistas e jornais brasileiros em relação aos principais pontos da agenda de interesse da população afrodescendente (ações afirmativas, cotas, Estatuto da Igualdade Racial e demarcação de terras quilombolas).

Venício Lima

O “Dia da Consciência Negra” é comemorado em todo o país na data em que Zumbi – o herói principal da resistência simbolizada pelo quilombo de Palmares – foi morto, 314 anos atrás: 20 de novembro de 1695. Muitas revoltas, fugas e quilombos aconteceram antes da Abolição em 1888.

O Brasil de 2009 é, certamente, outro país. Apesar disso, “os negros continuam em situação de desigualdade, ocupando as funções menos qualificadas no mercado de trabalho, sem acesso às terras ancestralmente ocupadas no campo, e na condição de maiores agentes e vítimas da violência nas periferias das grandes cidades”.

O estudo Síntese de Indicadores Sociais (SIS), divulgado em outubro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela que, de 1998 a 2008, dobrou o número de negros e pardos com ensino superior. Mesmo assim, os números continuam muito abaixo da média da população branca: só 4,7% de negros e pardos tinham diploma de nível superior em 2008, contra 2,2% dez anos antes. Já na população branca, 14,3% tinham terminado a universidade em 2008. Dez anos antes, eram 9,7%. Entre o 1% com maior renda familiar per capita, apenas 15% eram pretos ou pardos no total da população brasileira.

A grande mídia e a desigualdade racial

Diante desse quadro de desigualdade e injustiça histórica, como tem se comportado a grande mídia na cobertura dos temas de interesse da população negra brasileira, vale dizer, de interesse público?

Uma pesquisa encomendada pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), realizada pelo Observatório Brasileiro de Mídia (OBM), analisou 972 matérias publicadas nos jornais Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e O Globo, e 121 nas revistas semanais Veja, Época e Isto É – 1093 matérias, no total – ao longo de oito anos.

No período compreendido entre 1º de janeiro de 2001 a 31 de dezembro de 2008, foi acompanhada a agenda da promoção da igualdade racial e das políticas de ações afirmativas em torno dos seguintes temas: cotas nas universidades, quilombolas, ação afirmativa, estatuto da igualdade racial, diversidade racial e religiões de matriz africana.
Não é possível reproduzir aqui todos os detalhes da pesquisa. Menciono apenas cinco achados de um Relatório de quase 100 páginas.

1. Com graus diferentes, os jornais observados se posicionaram contrariamente aos principais pontos da agenda de interesse da população afrodescendente. Em toda a pesquisa, as políticas de reparação – ações afirmativas, cotas, Estatuto da Igualdade Racial e demarcação de terras quilombolas - tiveram o maior o percentual de textos com sentidos contrários: 22,2%.




2. As reportagens veicularam sentidos mais plurais do que os textos opinativos que, com pequenas variações, se posicionaram contrários à adoção das cotas, da aprovação do Estatuto da Igualdade Racial e da demarcação de terras quilombolas. A argumentação central dos editoriais é de que esses instrumentos de reparação promovem racismo. Em relação à demarcação das terras quilombolas, os textos opinativos em O Estado de S. Paulo, 78,6%, e O Globo, 63,6%, criticaram o Decreto n.º 4.887/2003 que regulamenta a demarcação e titulação das terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos. O argumento principal foi o de que o critério da autodeclaração é falho e traz insegurança à propriedade privada.

3. A cobertura sobre ações afirmativas foi realizada, basicamente, em torno da política de cotas: 29,3% dos textos. Outros instrumentos pouco foram noticiados. O Estatuto da Igualdade Racial esteve presente apenas em 4,5% dos textos. A discussão sobre as ações afirmativas mereceu atenção de 18,9%. Quase 40% desses textos foram publicados em 2001, ano da Conferência sobre a igualdade racial em Durban, África do Sul. A Lei 10.639/2003, que inclui no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira”, praticamente não foi noticiada. Menções à lei foram feitas de forma periférica, em apenas 0,5% do total de textos, sem que os veículos tenham problematizado o assunto ou buscado dar visibilidade à sua aplicação.

A cobertura oferecida pelo jornal O Globo merece um comentário à parte. O jornal dedicou 38 editoriais sobre os vários temas pesquisados, destes 25 ou 65,8% trataram especificamente de “cotas nas universidades”. Os três jornais publicaram 32 editoriais sobre o mesmo assunto. O Globo foi, portanto, responsável por 78% deles.

Ainda que os principais argumentos contrários – as cotas e ações afirmativas iriam promover racismo (32%) ou os alunos cotistas iriam baixar o nível dos cursos (16%) – não tenham se confirmado nas instituições que implementaram as cotas, a posição editorial de O Globo não se alterou nos 8 anos pesquisados.




4. Embora a maioria dos estudos e pesquisas realizadas por instituições como IBGE, IPEA, SEADE, OIT, UNESCO, ONU, UFRJ, IBOPE e DATAFOLHA, no período analisado, confirmem o acerto das políticas de ação afirmativa, apenas 5,8% dos textos publicados nos jornais noticiaram e debateram os dados revelados. Esses estudos e pesquisas trataram de assuntos como: menor salário de negros frente a brancos; menor presença de negros no ensino superior; negros como maiores vítimas da violência; e pouca presença de negros em cargos de chefia, dentre outros.

 

5. O noticiário das revistas semanais sobre a afrodescendencia e a promoção da igualdade racial teve características muito semelhantes ao encontrado nos jornais. Os textos com sentidos contrários às políticas de reparação (26,4%) foram em maior percentual do que aqueles com viés favorável (13,2%). Da mesma forma que nos jornais, a cobertura se concentrou nos programas de cotas: 33,1% sendo que o alto percentual dos textos que trataram das religiões de matriz africana (25,6%) foi o único que destoou da freqüência nos jornais, 4,7%.




Liberdades e direitos

Os resultados da importante pesquisa realizada pelo OBM denunciam um estranho paradoxo. Enquanto a grande mídia tem se revelado cada dia mais zelosa – aqui e, sobretudo, em alguns países da América Latina – com relação ao que chama de liberdade de imprensa (equacionada, sem mais, com a liberdade individual de expressão), o mesmo não acontece com a defesa de direitos fundamentais como a reparação da desigualdade e da injustiça histórica de que padece a imensa população negra do nosso país.

Estaria a grande mídia mais preocupada com seus próprios interesses do que com o interesse público?

Venício Lima é Pesquisador Sênior do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política da Universidade de Brasília - NEMP - UNB


[Fonte: publicado originalmente, em 17/11/2009 pela agência Carta Maior.
http://www.cartamaior.com.br/templates/index.cfm?idioma_id=1&alterarHomeAtual=1&home=S]

Editoria Jornalismo na Correnteza

O Globo "descobre" a Conferência de Comunicação
Ana Lucia Vaz

Boa notícia! O jornal O Globo publicou, dia 19 de novembro, matéria sobre a Conferência Nacional de Comunicação ("PT defende controle público e sanções à imprensa" p.15). A Conferência está sendo preparada há pelo menos um ano, mas essa foi a primeira matéria do jornal que cita o evento. Houve muitas reuniões preparatórias, os delegados já foram eleitos nas conferências municipais e estaduais e a Conferência Nacional vai acontecer entre 14 e 17 de dezembro.
Em agosto, as Organizações Globo lideraram a retirada de seis das oito entidades que representam as redes privadas de comunicação da comissão de organização da Conferência. Nos seus veículos de "informação", silêncio absoluto. A Conferência Nacional vai discutir as diretrizes que devem nortear a regulamentação da comunicação no país. Mas O Globo sonegou, até hoje, essa informação a seus leitores, ouvintes e telespectadores.
A estratégica da Rede Globo de ignorar o que não quer que aconteça, na expectativa de reduzir a realidade ao seu desejo, é velha. Foi o que fez, nos anos 80, durante a campanha Diretas Já, por exemplo. Na época, a Globo só desistiu de ignorar a campanha depois de mais de um milhão de brasileiros irem às ruas ignorando o silêncio da Globo.
A boa notícia é que, nos anos 2000, parece que a estratégia da omissão está se tornando menos eficaz. Não vou me aventurar a analisar porque. O oceano de veículos de informação alternativos deve ter alguma coisa a ver com isso. O distanciamento entre os interesses da mídia empresarial e do governo federal e o consequente investimento do governo na mídia estatal também. Mas o que mais importa é que O Globo teve que falar na Conferência da qual não está participando por opção!
Se decidiu entrar no debate, contribuindo para a divulgação do evento, é porque já não acredita na possibilidade de esvaziar a Conferência pela invisibilidade. O que aconteceu para O Globo afrouxar a rédea curta da censura interna e liberar a informação?
Não sei, porque o fato novo - aquele que deveria ser o mote de qualquer notícia jornalística – não aparece na matéria. A reportagem (que também pode ser lida na internet em
oglobo.globo.com/pais/mat/2009/11/18/pt-defende-controle-publico-sancoes-imprensa-914829658.asp) trata exclusivamente de documento aprovado no dia 17 de setembro, pelo Partido dos Trabalhadores . Ou seja, é assunto velho. O que fez ela sair agora tem a ver com questões políticas que continuam sendo omitidas pelo veículo "de informação".
A notícia do jornal é ruim. Daquelas em que dá quase para adivinhar o jornalista sendo engolido pela imposição da linha editorial do veículo. O título (em geral feito por um editor ou redator) fala do PT, não da Conferência, que deveria ser o mais importante. Na linha fina, o documento do PT continua no centro e a Conferência é reduzida a uma "conferência do governo".
Em toda a matéria, o nome da Conferência Nacional de Comunicação só aparece uma vez, entre parênteses, para explicar o título do documento petista. Ainda assim, o texto começa apresentando o conteúdo do documento de forma bastante objetiva. Mas se limita às declarações gerais do documento e não chega a citar nenhuma das 51 propostas apresentadas pelo documento.
Antes disso, entra um "especialista em comunicação" (o que é isso?) da Universidade de Navarra (Espanha! Claro, quem melhor para falar da comunicação no Brasil?) dizendo que as propostas do PT "preocupam". A quem? Aos espanhois? Não, à Opus Dei. Isso mesmo, o setor mais conservador da Igreja Católica foi quem criou a Universidade de Navarra. O especialista da matéria, Carlos Alberto Di Franco, da Opus Dei, foi o consultor para assuntos de comunicação do governo Alckmin, do PSDB. Que coincidência, né?
Daí em diante a matéria se perde no mais banal discurso doutrinário sobre "controle ideológico" da comunicação, "visão autoritária, centralizada e antidemocrática" e, para não esquecer os inimigos, uma comparação com Venezuela e Argentina. Termina, deseperada, citando o discurso do Lula para os catadores de lixo, para mostrar que o presidente "não tem poupado ataques à imprensa".
Sinais de histeria. Dá para entender. Agora, a Globo e a maioria das redes privadas (com exceção de Rede TV! e Band que não seguiram a Globo e continuaram na Conferência ) vão ter que correr atrás do prejuízo tentando interferir de fora ou melar o resultado depois. Mais um desgaste para a conta da maior rede de comunicação do país que vem dando repetidas demonstrações de incapacidade para se relacionar com a democracia.
Estaremos numa democracia bem melhor quando, em vez destes artifícios mesquinhos de ocultamento e boicote, a "maior emissora do Brasil" for capaz de participar do debate democrático, alimentá-lo e utilizar todos os seus recursos para defender aberta e honestamente suas posições. Esse dia há de chegar! Há muitos bons profissionais na Globo, capazes de enfrentar as adversidades e, mesmo que muito letamente, empurrar seu jornalismo para uma prática digna e democrática.

*Ana Lucia Vaz, jornalista, mestre em Jornalismo (USP), membro da Rede Nacional de Jornalistas Populares (http://www.renajorp.net/), professora de jornalismo e terapeuta craniossacral.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Editoria Volta ao Mundo, Mundo dá Volta

A liberdade não tem muros



                                           Muro de Berlim, em 1986


A festa em Berlim em comemoração pelos 20 anos da Queda do Muro trouxe à tona algumas surpresas e constatações. A festa ocorrida no dia 09 de novembro não coincidiu com um dia feriado na cidade nem no país, o que dificultou o deslocamento e a presença de muitos, mesmo se, ao final, 100 mil pessoas compareceram à celebração. Esse ano a festa, por sua amplitude histórica, não era apenas alemã, mas europeia e mundial. Na verdade, os alemães costumam comemorar a data da unificação das duas Alemanhas, ocorrida em 03 de outubro de 1990.

Em tempos de altermundialismo, vale lembrar, a história contemporânea recente divide-se entre antes e depois da Queda do Muro. A derrubada das Torres Gêmeas em Nova Iorque (2001) representa também em plena aurora do século XXI, sabemos, mais um novo e importante capítulo, dessa vez trágico, da nossa história, porque é a expressão da fissura política, econômica e religiosa entre Ocidente e Oriente. Em 1989, contudo, houve o tempo da tristeza e também o da comemoração, não do fim da história, mas o do fim do arremedo de socialismo existente e de muitos males praticados em seu nome. A esquerda mundialmente ainda está até hoje tentando se refazer dos estragos, sobretudo políticos, desse passado e procurando fazer o devido balanço teórico e histórico, assim como procurando se diferenciar doravante da experiência do socialismo burocrático. Houve conquistas sociais significativas, mas que ficaram esmaecidas frente à condução política dos diversos governos ditos socialistas envolvidos.

No entanto, nem tudo também são flores depois da Queda do Muro. Pode-se mesmo dizer, em tempos de sociedade do consumo, que parecem mais « flores de plástico », como cantava o grupo Titãs. Por isso, se Rosa Luxemburgo falava no contexto da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) que estava 10 X 2 para a barbárie, o que dizer, porém, dos nossos tempos globalizados neoliberais ? O gosto amargo da crise e da desesperança faz-se mais presente do que nunca, constatam-no mesmo os que sentiram alívio com as pedras do muro rolando em Berlim naquele paradigmático 1989. Ecoam proféticas, assim, ainda em 2009, as palavras de Cazuza: « Ideologia, eu quero uma para viver !».

Os homens e chefes de Estado, contudo, não aprenderam a lição, com base na experiência que dividiu traumaticamente as duas Alemanhas durante 30 anos. Outros muros separatistas, nesse ínterim, foram erguidos: o muro que separa os EUA do México (desde 1994) e o que também separa Israel da Cisjordânia (desde 2002). A paz e a utopia libertária de um mundo fraterno e melhor parecem cada vez mais se afastar no horizonte.

Uma informação que circulou na França no momento dessa comemoração é a de que a geração coca-cola alemã, pós-muro, não lembra do que aconteceu antes e também não quer saber muito a respeito do assunto. Um muro de esquecimento parece se erguer, assim, intergeracionalmente, ao final de cada ditadura e de cada experiência histórica dolorosa. Elaborar e ultrapassar as marcas do passado é preciso, mas esquecer não. Senão, em que consistiria, doravante, o antídoto contra a farsa histórica e sua repetição trágica?

Para ver e saber mais
http://www.tv5.org/TV5Site/webtv/video-6707-100_000_personnes_reunies_a_Berlin_pour_feter_les_.htm

Em DVD, « Good-bye Lenin » (Diretor : Wolfgang Becker, Alemanha, 2002).

Para ler
- O verde violentou o muro (1984), de Ignácio de Loyola Brandão – uma espécie de diário e notas do escritor na Berlm ocidental, que é um verdadeiro passeio pela cultura numa Alemanha dividida.


Mione Sales é assistente social, professora de Serviço Social (Uerj), doutora em Sociologia e graduada em Literatura Comparada. E-mail para contato: mionesales@gmail.com.

Editoria Volta do Mundo, Mundo dá Volta

Os Trópicos ficaram tristes…


                                                                          Foto: Frédéric Hugon


« C’est nécessaire prendre le phénomène humain par tous les bouts
 simultanément. »
(C. Lévi –Strauss)

Morreu o antropólogo Claude Levi-Strauss (1908-2009). Isto não é mais novidade, eu sei, mas preferi que o tempo passasse um pouco, para lhe prestar uma homenagem aqui no Volta do Mundo.

Levi-Strauss, juntamente com o etnólogo Pierre Verger, ao mergulharem no verde e no negro do nosso Brasil, contribuíram, cada um no seu tempo e lugar, para que os olhares dirigidos à Terra Brasilis se tornassem científica e culturalmente mais respeitosos. Aquele fortaleceu a dignidade dos povos índios (Bororos e Nambiquaras, do Mato Grosso e Amazônia), este último fotografou, a partir de Salvador, a beleza e a riqueza da cultura afro-brasileira.

Os antropólogos guardaram até hoje a tradição empírica de viajar para outros países em busca do diferente, do exótico e do estrangeiro. Quantos não voltaram transformados para as suas nações de origem! O impulso colonizador e civilizador eurocêntrico foi, porém, cedendo pouco a pouco à descoberta da alteridade.

Críticas e diferenças teóricas à parte, nós, assistentes sociais, temos, nos nossos espaços de atuação profissional no campo e na cidade, muito a aprender e a trocar com a Antropologia e vice-versa. Já transitamos com desenvoltura no circuito sociológico e no da economia política, porém penso que a interlocução com a Antropologia, a Filosofia e a Psicanálise são também essenciais para uma visão de totalidade do ser social. O humano, multifacetado, permite-se flagrar em sua singularidade, diversidade e universalidade, sem dúvida alguma, dentre outras, pelas apuradas e pacientes lentes antropológicas. A cultura está no cerne dessa busca e desse encontro interdisciplinar entre Serviço Social e Antropologia.

Claude Lévi-Strauss, por exemplo, foi alguém que, do alto dos seus cem anos de vida, disse não reconhecer e não mais se reconhecer (n)o mundo tal como o construímos no presente. Já não queria lhe dizer mais nada. O que me fez pensar também no escritor brasileiro João Cabral de Mello Neto, que disse, a uma avançada altura da sua vida, que não lia nem fazia mais o que não lhe interessava. Não tinha mais tempo a perder. Sábios homens velhos, como canta o poeta Caetano. Essa sensibilidade tamanha, a encobrir o espanto diante dos abismos sociais e da cultura descartável que a sociedade capitalista vem produzindo, é indicadora ao meu ver das afinidades eletivas que temos com Lévi-Strauss e com algumas das pistas intelectuais despretensiosamente por ele traçadas.

Para ver e saber mais
[Conferir no link acima o depoimento de LS em que diz : « Fui criado em ateliês de artistas. A estética era, assim, como o leite que me alimentava. É natural, portanto, que eu seja sensível ». Durante o trabalho de campo que resultou no livro Tristes Trópicos (1955) – considerada uma das obras mais importantes do século XX, fruto da temporada de pesquisa que passou no Brasil (Norte e Centro-Oeste), na década de 30, no contexto da criação da USP -, ele se permitiu tirar férias da dita reflexão científica autêntica ou, em outras palavras, do rígido racionalismo cartesiano. Essa atitude contribuiu para que ele introduzisse e experimentasse novas abordagens teórico-práticas, o que certamente não caberia no âmbito do seu livro Estrutura elementar do parentesco, um clássico do estruturalismo.

Destaca:

«É necessário abordar o fenômeno humano por todos os lados simultâneamente. O corte entre o sensível e a estética, de um lado e o inteligível do outro, que reina entre nós desde o século XVII foi, ao longo da minha carreira, aquilo de que eu tentei me livrar. Meus livros são um esforço nessa direção ». ]

Mione Sales é assistente social, professora de Serviço Social (Uerj), doutora em Sociologia e graduada em Literatura Comparada. E-mail para contato: mionesales@gmail.com.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Editoria Caleidoscópio Baiano

Conferência Nacional de Comunicação – Etapa Bahia

Claudia Correia

Dias 14 e 15 de novembro aconteceu em Salvador a etapa baiana da 1ª Conferência Nacional de Comunicação. Com a presença de 600 participantes, demos mais uma demonstração de cidadania e disposição para debater a Política Pública de Comunicação na direção da democratização do acesso à informação como um dos direitos humanos essenciais. O ano passado, a Bahia foi pioneira no país e promoveu uma Pré-Conferência precedida de Conferências territoriais, mobilizando delegados de seus 417 municípios. A discussão se deu em torno de quatro eixos temáticos: Políticas Públicas de Comunicação, Comunicação e Desenvolvimento Territorial, Comunicação e Educação e Cidadania e Novas Tecnologias da Informação e Comunicação.
O que mais me chamou atenção em 2008 foi a presença maciça de jovens e a tônica na comunicação à serviço da educação para a cidadania e a radiodifusão comunitária.
Hoje o clima já foi diferente. O debate foi organizado a partir de três eixos temáticos: produção de conteúdo, meios de distribuição e cidadania: direitos e deveres. Procurei focar minha participação neste último tema e acompanhar os passos dos movimentos sociais e organizações não governamentais.
Neste cenário político de 2009 surgiram novos atores sociais e claro novos confrontos no campo das disputas de poder/saber para consolidar projetos hegemônicos. O chamado segmento da “sociedade civil empresarial” compareceu em peso na Conferência deste ano, representado por agências de publicidade, emissoras de rádio e TV, empresas de telecomunicações e jornais de grande porte. O discurso dominante neste grupo é o da regionalização da produção midiática e da democratização da propaganda. Aqui o discurso oficial do governo estadual é que a Bahia está “de novo na vanguarda nacional, incorporando este importante segmento de investidores do setor no debate da política de comunicação”. Pago para ver esta inovação construir algo socialmente responsável....
Na manhã de encerramento do evento, logo que botei o pé na Conferência fui abordada por um grupo de jovens, na sua maioria mulheres, que divulgava um abaixo assinado em apoio a uma moção de repúdio à lista de delegados apresentada pelo grupo dos “empresários da comunicação”. Em síntese, a contestação era a atitude anti-democrática com que os 48 delegados foram escolhidos, em uma reunião fechada, excluindo as micro-empresas como agências de comunicação do interior do estado e de Salvador que atuam basicamente com movimentos sociais, web rádios e outras do gênero. Na Plenária final, a tal moção não foi apresentada em função de um “acordo” selado entre as micro-empresas e os poderosos que “concederam” o direito de incluir apenas dois representantes da “raia miúda” dentre os seus 48 delegados “Vips”. Detalhe: a ala empresarial de nossa delegação embarca com uma maioria masculina, privilegiando meia dúzia de empresas: Telebrasil, TV Band, Acel (Oi),SindTelebrasil e mais umas agências de publicidade e produtoras locais. Uma lástima! Moral da história: teremos de ficar atentos às estratégias e conchavos que possam ser feitos em nome de interesses privados, de olho no mercado comercial da comunicação, travestidos de boas intenções, durante a Conferência Nacional, em dezembro, em Brasília.
No mais, alguns avanços me motivaram a permanecer até o encerramento da plenária final de aprovação de propostas, apesar do domingo de sol convidativo para um bom mergulho na praia de Piatã, regado a acarajé e cerveja gelada.
O governador Jaques Wagner comprometeu-se a enviar para a Assembléia Legislativa, em 90 dias, um projeto de lei para criar o Conselho Estadual de Comunicação, a ser discutido por um grupo de trabalho, com a participação de todos os segmentos da Política de Comunicação. Vamos cobrar porque às vésperas de ano eleitoral esta promessa não pode acabar em pizza (traduzindo em baianês= em caruru e vatapá!)
Fiquei realizada de ver pessoas com deficiência, jovens, estudantes, profissionais, acadêmicos, indígenas, negros, organizações não governamentais sérias que atuam com mídias alternativas, jornais de bairro, rádios comunitárias, idosos, sindicalistas, lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e tantos outros diferentes e iguais , juntos na ala da “sociedade civil organizada”. Parece que a discussão foi bem conduzida, democrática e justa. Contemplou o interior e a capital, os acadêmicos e os militantes, garantindo uma boa diversidade étnica, de gênero e de quase todos os recortes na lista dos 48 delegados eleitos. Chamou atenção a presença do Conselho Regional de Psicologia como delegado e o excelente boletim informativo especial do Conselho Federal da categoria, divulgado na Conferência, em defesa dos direitos da criança e do adolescente, expostas à violência da mídia. Fiquei me perguntando: por que os assistentes sociais aqui ainda não se manifestaram como aliados do movimento pela democratização da comunicação e pelo controle social da política?
Não resistir: sai fotografando os bastidores da plenária e entrevistando personagens interessantes, para captar a diversidade destes olhares, a riqueza de nossa diversidade cultural, típica da Bahia que fala muitas línguas, que tem muitas cores! Os jovens índios pataxós de Porto Seguro, a juventude negra e os únicos três portadores de deficiência foram minhas fontes preferidas. Incrível: nenhum recurso foi oferecido para facilitar a participação de deficientes visuais, auditivos e cadeirantes na Conferência. Muitas barreiras no meio de tanto discurso de democratização e direitos! O bloco dos 12 delegados do setor público ganhou representatividade com a presença dos poderes executivo e legislativo, incluindo alguns municípios como Candeias, o único dos 417 a realizar Pré-Conferência este ano e conseguir incluir suas propostas nesta etapa. As Universidades estaduais e federal, também presentes, garantem a participação de estudiosos.
Ao todo elegemos 108 delegados para a etapa nacional. Em geral, as propostas estão bem afinadas com a preocupação consensual em defesa da nova regulamentação das concessões públicas ao setor privado, o fortalecimento do sistema público de comunicação e seu controle social, o incentivo à radiodifusão comunitária, a inclusão digital banda larga para todos,a revisão dos critérios para publicidade oficial, a participação democrática da sociedade e a construção de um novo marco regulatório para o setor.
Recomendo que todos conheçam as propostas de algumas entidades para a 1ª Conferência Nacional de Comunicação que acontecerá em Brasília de 14 a 17 de dezembro. Um passeio pelos sites vai dar um bom panorama do que eu pude perceber aqui nestes dois dias de Conferência em Salvador.

Algumas dicas:

Vermelho Portal: www.vermelho.org.br
Agência de Notícias dos Direitos da Infância:
www.andi.org.br
Cipó Comunicação Interativa:
www.cipo.org.br
Intervozes Coletivo Brasil de Comunicação:
www.intervozes.org.br
Conselho Federal de Psicologia:
www.pol.org.br


Sai da Conferência mais confiante na mobilização social em defesa da democratização da comunicação como um instrumento de empoderamento e de fortalecimento da cidadania. Estarei em Brasília e mandarei notícias.


Claudia Correia, assistente social, jornalista, profa. ESSUCSal e Mestre em Planejamento Urbano. ccorreia6@yahoo.com.br

Galeria de fotos
Fotos: Claudia Correia























































domingo, 15 de novembro de 2009

Estréia hoje, aqui no M&QS, a editoria Web@tecno.



Vamos procurar dividir com vocês, se não todas, mas uma gama de novidades e discussões que rolam no ciberespaço. Falaremos de pesquisas sobre as mídias; dicas de sites, portais e blogs interessantes... Tudo o que puder contribuir para a socialização da informação, com credibilidade.

Nas conspirações virtuais da Equipe do Blog M&QS, nos últimos tempos, sentiu-se essa necessidade como complemento a todas as novidades que acontecem aqui em nosso espaço. Aí a coisa rolou! E, assim começamos em grupo a tarefa.

Então, de mochila nas costa, parti para minhas expedições, com um novo caráter associado, além do interesse e da curiosidade pessoal, o compromisso firmado em conjunto a fim de socializar e bem a informação.

Hoje vou falar de um dos portais de notícias que acesso diariamente: o Portal SRZD cuja direção geral é do jornalista Sidney Rezende, que também dentro deste contexto, tem o seu blog. Há outros blogs interessantíssimos por lá, também, um que fala inclusive sobre o direito autoral, o Blog do Autor. Sua criação deu-se em 23 de maio de 2006. Nesses três anos na web, sua audiência tem crescido de pau-a-pique. Pela sua estatística de acessos, segundo ele, só este ano, o portal teve um acréscimo de 400%. Em outubro de 2009, já atingiu a marca de 2.766.175 milhões de leitores mensais, e mais de 5 milhões e 400 mil pageviews. O que demonstra a confiança e interesse no que é noticiado por ele e sua equipe, nesse curto espaço de tempo de existência.

No dia 11 de novembro, o jornalista trouxe-nos um comentário em seu blog sobre o resultado de uma pesquisa feita ao Instituto Vox Populi pelo Grupo Máquina sobre a “Alta da Internet”, enquanto um dos segmentos de comunicação. O quê está à luz dos nossos olhos.

Um dos seus comentários sobre as amostragens dá visibilidade a um viés significativo: a alta da credibilidade da internet associada a esse seu crescimento veloz.

Vou inverter um pouco a ordem na apresentação dos fatos como a informação foi passada só para dar ênfase ao que falei acima. Numa escala de notas quanto à avaliação de credibilidade dos vários veículos de comunicação, de 0 a 10, a internet fica com a segunda nota (8,20), um empate técnico, podemos assim dizer, com o rádio em primeiro (8,21), seguido pela TV (8,12), jornal (7,99), revista (7,79) e redes sociais (7,74).

Esse crescimento de preferência da internet entre os entrevistados mostra, segundo os especialistas, a importância da mídia, a qual, “atualmente passa por uma discussão sobre a cobrança de conteúdo online das publicações. O assunto é discutido na Carta de Hamburgo, que trata dos direitos autorais na internet.”

Os demais dados informativos da pesquisa são:

A TV está em primeiro lugar na preferência do brasileiro com 55,9%, seguida pela internet - sites de notícias/blogs jornalísticos - (20,4%), jornal impresso (10,5%), rádio (7,8%), internet - redes sociais - (2,7%), jornal online (1,8%), revista impressa (0,8%) e revista online (0,1%).

A consulta foi feita com 2.500 pessoas, maiores de 16 anos, entre 25/08 e 09/09, no Distrito Federal e nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo. O estudo quer entender como o brasileiro se informa atualmente e qual é o seu comportamento na frequência do consumo da mídia.

O estudo também perguntou quais são as fontes mais acessadas no dia-a-dia e a televisão ficou em primeiro, 99,3% afirmou que assiste TV. Completam o ranking: rádio (83,5%), jornal impresso (69,4%), internet – sites de notícias e blogs de jornalistas (52,8%), revista impressa (51,1%), redes sociais (42,7%), versão online de jornais impressos (37, 4%) e versão online de revistas (22,8%).

Outra questão foi a frequência de utilização dos meios de comunicação, que também foi vencida pela TV. 88,6% disseram que assistem TV todos os dias; 3,1% apenas de segunda a sexta-feira; 2,5% apenas nos finais de semana; 5,1% sem frequência definida e 0,7%não se informa pelo meio.

Os sites são vistos diariamente por 30,9%; durante a semana por 3,8%; nos finais de semana por 4,1%; sem frequência definida por 14% e 47,2% não se informa pelo meio.

Nesta ordem, o rádio representa: 59,5%; 5,1%; 4,6%; 14,2% e 16,5%. Jornais impressos: 28,5%; 7%; 10,8%; 23% e 30,6%. Redes sociais: 24,9%; 3,4%; 3,9%; 10,5% e 57%. Jornais online: 16,7%; 5,3%; 3,2%; 12,1% e 62,3%. Revistas: 10,4%; 8%; 7,5%; 25,1% e 48,9%. Sites das revistas: 7,5%; 3,6%; 2,2%; 9,4% e 77,2%.

Então estas são algumas informações que obtive através do blog jornalístico do Rezende. A curiosidade aumentou e me fez buscar mais dados para repassá-los a vocês.

Um abraço,

Nelma Espíndola – Assistente Social.
E-mail: nelmaespindola@gmail.com

Fontes: Blog Sidney Rezende  - Portal SRZD e Webmarketing Blog

Na luta contra a homofobia

No site da Agência Senado, acontece neste mês de novembro, uma enquete cuja votação é sobre a aprovação do projeto de lei (PLC 122/2006) que pune a discriminação contra homossexuais.

O seu posicionamento diante dessa questão é de fundamental importância para a garantia dos direitos humanos!

Acessem agora o site do Senado clicando aqui:

http://www.senado.gov.br/agencia/default.aspx?mob=0

Desça a página e procure no lado direito pela opção: Enquete e vote em SIM e digite o número de confirmação, que significa que você é a favor da aprovação da lei. A votação encerra este mês.

É uma oportunidade de luta contra os fundamentalistas religiosos.

Na consulta que fizemos a pouco, na apuração dos votos são:

Votos sim = 52% 


Votos não = 48%

Total de votos= 79814.

Horário da consulta: 16h14, em 15/11/09.


É preciso alargar a vantagem nessa votação, votando SIM!!

Divulguem... passem adiante. Precisamos de todos vocês!!


Um abraço,

Equipe do Blog Mídia e Questão Social

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Editoria Jornalismo na Correnteza

Apagão jornalístico

Ana Lucia Vaz

Rio de Janeiro, 10 de novembro. Lá estava eu jantando diante da televisão. A luz variou, a TV foi e voltou e foi de vez. Confesso que me escapou um sorriso de satisfação ao ver a imagem virar aquele filetezinho de luz e apagar-se de vez. O resto da refeição foi especialmente agradável, livre das abobrinhas do Casseta&Planeta. E, o que é melhor, conversando tranquilamente com minha mãe, sem nenhum chato para dividir nossa atenção.
A refeição acabou, seguimos conversando e fomos descobrindo, entre um telefonema e outro, que a falta de luz era, na verdade, um apagão de dimensões nacionais.Quando fui deitar, não resisti a ouvir o rádio para “saber melhor o que estava acontecendo”. Pobre iludida! Era evidente que os radiojornalistas não sabiam nada e se revezavam na leitura de e-mails, torpedos e sei lá mais o quê que lhes enviavam os ouvintes. Um jornalista entra no ar, de uma rua de São Paulo. Ligou para os parentes e descobriu outros bairros e cidades sem luz. Outra jornalista envia uma fotografia tirada de uma rua movimentada de São Paulo, iluminada apenas pelos faróis dos carros. A âncora descreve a foto.
Eu pensava no livro de um jornalista (não lembro qual) que constatava que quase todas as matérias publicadas pelos jornais são produzidas a partir de fatos previsíveis, que permitem uma cobertura planejada. O que sai do planejamento costuma provocar caos na cobertura. O jornalismo é muito mais burocrático e previsível do que nos faz crer a mítica da profissão.
Sem planejamento, os âncoras gaguejavam, se repetiam à exaustão, e impostavam num tom de voz agitado. Mas quem viveu o apagão em casa, ou nas ruas, em geral viu e sentiu muita coisa, menos agitação. No máximo medo. Imagino que o pessoal engarrafado na linha amarela, no Rio de Janeiro, deve ter ficado apreensivo. Em São Paulo também.
Uma moça que mora em Nova Iguaçu me falou do medo de andar até sua casa no breu: “Uma senhora que saltou do ônibus na minha frente, torceu o tornozelo porque não enxergou o buraco!” Outras histórias colhidas, no dia seguinte, eram deliciosas. Um amigo que mora em Niterói me contou do espetáculo da viagem de barca com Rio e Niterói no escuro. No ônibus ouvi a moça contando que o filho aproveitou pra ir com um amigo tomar banho de mar pelado. Que inveja!
Na rua em frente à minha casa, nunca houve tanto silêncio. Os carros passavam lentos, cuidadosos. A rua pouco a pouco foi se aquietando. Pela primeira vez na vida, ouvi grilos cantando por aqui. Mas no rádio, o pessoal continuava agitadíssimo. Imperava o astral de grande acontecimento. E, no jornalismo, grande acontecimento já é quase catástrofe.
Entre as informações repetidas, muita recomendação para não saírmos de casa. "Porque os sinais não estão funcionando". É perigoso. É perigoso! É perigoso... Afinal, uma jornalista não resistiu e mergulhou de cabeça no sentido de tragédia que domina o mundo da notícia. Se não há catástrofe, a gente imagina! Diante da foto dos carros engarrafados na rua escura (e da falta de assunto), deixou escapar seu medo (ou desejo inconsciente?): “há risco de arrastões”.
Dei um pulo na cama. Desliguei imediatamente o rádio, quase sem acreditar no que tinha ouvido. Fui até a janela ouvir os grilos que se impunham deliciosos na rua deserta e silenciosa. Tateando pela mobília da casa, cheguei à outra janela para ver o trânsito. Poucos carros, circulando numa delicadeza inusitada. Me esforcei para abrir bem os olhos e ouvidos às imagens e ruídos suaves e tranqüilos da realidade ao meu redor. Levou algum tempo até que meu coração também voltasse à realidade concreta e se recuperasse da tensão neurótica que me chegou pelo rádio.

*Ana Lucia Vaz, jornalista, mestre em Jornalismo (USP), membro da Rede Nacional de Jornalistas Populares (http://www.renajorp.net/), professora de jornalismo e terapeuta craniossacral.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Editoria Caleidoscópio Baiano

A questão social e o Serviço Social sob as lentes da Globo

Claudia Correia


No último dia 03 de novembro, a Rede Globo exibiu o programa “Profissão repórter” contando o drama de pessoas que perdem o vínculo com suas famílias nas grandes cidades brasileiras. A intenção era promover o re-encontro de familiares, comover a opinião pública nacional e, claro, faturar a audiência do IBOPE “custe o que custar”. Pela primeira vez assisti ao programa e fiquei chocada.
Das três histórias contadas uma me chamou atenção: uma criança criada em um abrigo carioca sem referências familiares. Na cena, surgem dois assistentes sociais: um procura os familiares desta criança nas ruas do segundo maior centro urbano do país, acompanhado de uma deslumbrada repórter. O outro atua no abrigo onde reside a criança tida como órfã.
Tive a impressão que a atuação dos assistentes sociais foi exposta sem o devido cuidado de qualificar a intervenção técnica e ética deles, sem contextualizar os procedimentos adotados. Fiquei com a impressão na cena da assistente social nas ruas à procura da família da criança, acompanhada de um auxiliar (do Juizado da Infância? Conselheiro tutelar?) e da repórter global, que a atuação era exploratória, sem qualquer apuro técnico. Ela permanece na cena como uma coadjuvante, falando ao celular para avisar ao abrigo que o suposto pai da criança fora encontrado, enquanto a repórter “entrevista” animadamente este homem, tentando arrancar lágrimas dos telespectadores e dele.
Pasmem: o candidato a pai da criança estava por acaso, numa praça, próximo à equipe das gravações. Tudo pareceu-me armado como uma novela com final feliz. Na entrevista ele conta que é ex-presidiário e que a mãe da criança falecera. O auxiliar ou conselheiro tutelar mostra-se à vontade, falante, comentando sobre o caso com desenvoltura, sob o olhar atento da assistente social.
O outro assistente social surge tentando esclarecer à entusiasta repórter que seria impossível permitir o encontro do suposto pai com a criança no abrigo, o que gerou enorme frustração na heroína do melodrama disfarçado de “grande reportagem jornalística”. Fiquei com a sensação que a justificativa técnica e jurídica não foi dada de maneira consistente. O assistente social estava visivelmente constrangido nas filmagens, como se estivesse acuado diante da insistência da jovem candidata a jornalista que pretendia a todo custo patrocinar o re-encontro do pai e da criança.
Assim, a repórter telefonou para uma defensora pública que explicou que a criança já estava em processo de adoção e por isso não poderia ser abordada por seu pretenso pai naquele momento, daquela forma. Finalmente um personagem com bom senso!
Cabe questionar: este assistente social não poderia dar este esclarecimento? não poderia citar o Estatuto da Criança e do adolescente como um parâmetro legal para uma situação tão complexa como esta? não poderia ter dito que este tipo de intervenção não pode ser confundido com um espetáculo midiático para manter o ibope da emissora? A propósito, a Globo controla o sistema de comunicação ideologicamente dominante neste país de tantos órfãos de pais vivos. Além disso, no enfrentamento de numa situação como esta há todo um suporte psicossocial a ser prestado à criança e a todos os envolvidos. Se todos estes aspectos poderiam ser esclarecidos, porque não foram? A quem interessa esta visão mitificadora da realidade?
Moral da história: a questão social não pode ser transformada irresponsavelmente em tema de melodrama, com direito a trilha musical. O desaparecimento de pessoas no Brasil é um grave problema social, multifatorial. Como um processo sócio-econômico-cultural, deve ser alvo de programas transversais, de políticas públicas, não de ações isoladas, ainda que bem intencionadas. Que Política de proteção aos direitos da criança e do adolescente temos no país?
No afã de praticar uma boa ação, um serviço de utilidade pública ou a filantropia empresarial, a emissora expõe uma imagem frágil do profissional de Serviço Social, banaliza o drama social de milhares de brasileiros.
Talvez os colegas, quase transformados em coadjuvantes, não dimensionem o impacto desta “cobertura jornalística” sobre suas carreiras ou sobre a vida da população. A mídia é um poderoso instrumento que cria representações sociais, valores, conceitos e preconceitos. Precisamos compreender e dominar seus códigos para usar todo este potencial para fortalecer a luta por direitos sociais e por respeito, sobretudo ao trabalho de todos os profissionais. Fica a lição e a reflexão.

Claudia Correia, assistente social, jornalista, Profa. ESSUCSal, Mestre em Planejamento Urbano.

ccorreia6@yahoo.com.br