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quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Editoria Equipe Mídia & Questão Social

EM  OUTUBRO  DOIS  LANÇAMENTOS DE LIVROS DE DUAS BLOG-COMPANHEIRAS ACONTECEM NO RIO E EM SALVADOR



  
"A ética deve acompanhar sempre o jornalismo, como o zumbido acompanha o besouro."
Gabriel García Marquez



A Equipe do Blog Mídia & Questão Social tem o prazer de compartilhar com todos dois acontecimentos que terão o mês de outubro como um desdobramento de três anos atrás, ou, mas precisamente de 11 de setembro de 2010, quando elas estavam "juntas e misturadas", com outros autores do livro Mídia & Questão Social.

Hoje, continuam a espraiar seus pensamentos, experiências cotidianas e profissionais, alimentadas pelas veias jornalísticas e de mestras, sendo essas entrecortadas pelo Serviço Social. São Elas: Ana Lucia Vaz* e Claudia Correia* que fazem, respectivamente, no Rio de Janeiro e em Salvador o lançamento de seus livros.

sábado, 7 de julho de 2012

Editoria Volta do Mundo, Mundo da Volta

Mundo vasto mundo: acordes pra acordar!




Mione Sales*

Dos ataques sangrentos contra civis promovidos pelo governo da Síria nos últimos meses aos assassinatos e perseguições homofóbicas em crescimento exponencial no Brasil, parece que a maré do mundo não está muito para peixe. Fica-se sempre com aquela sensação de que com os meios de comunicação e sobretudo a Internet, o mundo talvez tenha ficado pequeno demais e cada vez mais próximo, inclusive a sua violência. Não se sabe se ficamos a par de mais notícias ruins ou se as notícias ruins juntamente com os seus fatos se multiplicam qual um vento galopante na contemporaneidade.

A charge que escolhemos para abrir a matéria, que traz a nossa pequena musa Mafalda, uma criação do argentino Quino, diz bem do desconforto e mesmo dor com que narramos ou lemos o que se passa na política mundial, como a crise econômica avassaladora em países da Europa como Grécia, Portugal e Espanha. O geógrafo marxista David Harvey assinalou muito bem, em Conferência na Escola de Arquitetura de Belleville (Paris, 2010), « não tarda a crise chega até você ». Faz parte do seu ciclo de expansão e reprodução, como característica intrínseca do capitalismo em sua etapa atual. Ela já esteve nos Estados Unidos, agora está impactante na Europa, mas o mundo gira…  Por isso, melhor não esquecer a solidariedade para com os países, povos e camadas oprimidas e exploradas da sociedade.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Editoria Caleidoscópio Baiano

Conselho de Comunicação da Bahia:
marco histórico na luta pela democratização da comunicação


                                          Fonte: Google


Claudia Correia

Finalmente, após anos de debate, o governo estadual empossou no último dia 10, no Ministério Público Estadual, em Salvador, os membros do Conselho de Comunicação da Bahia (CCS).

Desde 2008, quando realizamos a Conferência Estadual de Comunicação, a primeira do país, a criação do colegiado é defendida pelos movimentos sociais e profissionais que militam na área. A proposta foi uma das deliberações da conferência, defendida com vigor por várias entidades, com destaque para o Sinjorba - Sindicato de Jornalistas da Bahia e pela Cipó-Comunicação Interativa, onde estagiei em Jornalismo em 2007. Os conselheiros terão mandatos de 2 anos e podem ser reconduzidos para mais um mandato. Os representantes da sociedade civil foram eleitos em novembro do ano passado.




Lembro que a proposta rendeu um debate acirrado e polêmico, já que parte dos representantes dos veículos de comunicação se opôs e votou contra, alegando que haveria uma censura de conteúdo a ser veiculado pelos produtores de informação, o que feria a democracia. Saí desta Conferência em 2008 com a nítida sensação de que a briga para implantar o conselho na Bahia tinha poucos aliados, mas que seria vitoriosa. Soubemos persistir e ampliar as alianças estratégicas dentro e fora do governo estadual, a cargo do PT, em segunda gestão, na terra onde o coronelismo de Antonio Carlos Magalhães mandou e desmandou (principalmente) por 30 anos.

Detalhe curioso: em 2007, quando o governador Jaques Wagner nomeou o engenheiro elétrico Robinson Almeida para Secretário de Comunicação, várias entidades, incluindo o combativo Sinjorba, fizeram duras críticas, por ele “não ser da área, não dominar tecnicamente o assunto”. Moral da história: este secretário, o “estranho no ninho”, enfrentou o corporativismo e ainda bancou a defesa das deliberações da Conferência de 2008. Claro que sua gestão tem alguns equívocos, a política de comunicação institucional é cara e vende ilusões, mas tivemos a vontade política de dentro do governo, para que o conselho fosse criado e assim, na Assembléia Legislativa, o projeto de lei tramitou relativamente rápido.

Agora, com orgulho, temos o primeiro Conselho de Comunicação, deliberativo (virou moda agora transformar os conselhos em consultivos, como ocorreu recentemente aqui em Salvador, com o nosso Conselho da Cidade) e que irá traçar as diretrizes, planos e programas da política pública de comunicação. E daí? Para muitos é mais um conselho, ou corre o risco de ser sabotado. O fato é histórico para nós, baianos, que sentimos na pele o poder de manipulação política dos veículos vinculados à família Magalhães como o jornal Correio da Bahia e a afiliada da Rede Globo- TV Bahia. De fato, pode parecer pouco, mas pela primeira vez a comunicação está sendo tratada como um direito humano, um patrimônio de todos, um bem essencial à democracia e não um privilégio de poucos.

A Lei 12.212 de maio de 2011 mudou ainda a estrutura organizacional do governo, transformando a antiga AGECOM – Assessoria Geral de Comunicação em Secretaria de Comunicação e formalizou a criação do conselho.Com novo status o órgão amplia seu orçamento para dar conta da política estadual de comunicação. O novo conselho atende ao artigo 277 da Constituição do Estado da Bahia e surge com muitas expectativas, como o estímulo aos veículos de comunicação comunitária, a produção de conteúdos que expressem a diversidade artística, cultural e social da Bahia, além da inclusão digital.


Opositores de plantão






Vale lembrar que a criação dos conselhos de comunicação enfrenta a resistência da Associação Nacional de Jornais (ANJ) que se opõe à criação do Conselho Nacional e em outros estados que propuseram iniciativas semelhantes como o Ceará. O diretor executivo da ANJ, Ricardo Pedreira, espera que o nosso conselho cuide apenas de “temas locais”. Como assim? Estamos falando de um sistema público de comunicação, integrado, disciplinado por normas gerais e vinculado a uma política nacional deliberada com o aval do controle social. Cada ente federativo tem sua autonomia para definir normas, mas defendemos uma política pública onde os interesses coletivos sejam considerados e não concessões como moeda de troca no jogo político. Afinal, a quem interessa a comunicação truncada, que reforça preconceitos sociais e mantém no poder grupos minoritários e empresários inescrupulosos?

Para justificar sua posição, Ricardo Pedreira retomou um velho mito deste debate. “Somos contrários aos conselhos por entendermos que há neles uma intenção de controle social da mídia. Agora que temos um exemplo prático na Bahia, vamos acompanhar o trabalho e ver como o conselho vai se portar”, pontuou. Curioso que só se teme a censura quando a sociedade protagoniza o controle, mas quando meia dúzia de famílias e líderes políticos populistas se apropriam de veículos para fazer o que querem, inclusive perseguir e caluniar movimentos sociais (temos vários casos) não é censura. De que interesse público estamos tratando? O que está sendo controlado e em nome de que princípios éticos?

Lembro tanto na Conferência Estadual em 2008, como na nacional em 2010, como os empresários do setor se articularam. Fiquei impressionada com o “exército” de empregados de operadoras de telefonia e emissoras de TV que lotaram o auditório na Conferência Nacional em Brasília. Votavam unidos contra todas as propostas de democratização e de controle social. Na Bahia a TV Bandeirantes teve uma participação mais destacada, já que as demais boicotaram a conferência, assim como na etapa nacional. Aliás, eu cobri as duas conferências para o nosso blog.

Voltando a nossa Bahia... Na posse dos conselheiros, o governador Wagner tratou de demarcar território. “A liberdade de imprensa é um direito garantido no texto constitucional. Longe de mim fazer qualquer tipo de controle. A sociedade brasileira já mostrou que é madura e não aceita barreiras à sua livre expressão”, argumentou. Wagner arrancou aplausos da platéia, que lotou o auditório do Ministério Público, ao afirmar: “Lutamos a vida inteira contra isto. Não queremos controlar, nem ser controlados”, assegurou. Ele, um ex-sindicalista do ramo petroquímico da Bahia, sabe bem o poder da mídia, quando pretende detonar líderes de movimentos sociais e manipular a opinião pública.




Expectativas 

Bom, sabemos que o conselho não pode definir sobre conteúdos a serem veiculados pelos meios de comunicação, mas poderá receber denúncias sobre abuso e violação de direitos humanos na mídia e, se preciso, encaminhá-los ao Ministério Público.

O fomento à inclusão digital e o acesso às redes digitais na Bahia estão incluídos como atribuições do CCS. Assim, espera-se que o debate sobre o Plano Nacional de Banda Larga(PNBL) ganhe força nas reuniões do colegiado por aqui. Hoje, em um universo de 417, a Bahia conta apenas com quatro municípios inscritos no programa, que oferece internet banda larga a preços populares. A OI que atua na implantação do plano no estado, promete atingir 37 municípios até o final de 2012.

Na agenda do novo conselho está ainda o debate sobre a missão do sistema público de comunicação. O coletivo Intervozes, membro do conselho, defende a criação de um órgão curador para a TV Educativa e a Rádio Educadora FM, além da implantação de um fundo independente para financiar o sistema, garantindo sua autonomia.

A repercussão da criação do nosso conselho mobilizou setores empresariais, entidades e militantes. O jornal A TARDE, que vem perdendo espaço para o Correio da Bahia (repaginado após a morte de Antonio Carlos Magalhães, o famoso “Toninho Malvadeza”) se expressou através do seu diretor executivo, Silvio Simões, que destacou o papel do CCS no combate ao apartheid entre o Estado e a sociedade.

O presidente da Associação Baiana de Imprensa e conselheiro Walter Pinheiro destacou a vigilância do conselho para defender a liberdade de expressão e a boa prática do jornalismo.

A presidente do Sinjorba, Marjorie Moura, aposta no poder do conselho em pluralizar e interiorizar o acesso à comunicação na Bahia, apoiando as iniciativas que nascem dos movimentos sociais. Detalhe: o mulherio manda bem aqui na militância sindical no jornalismo. Várias lideranças femininas têm se revelado no meio. Fui convidada a compor a chapa da última eleição do Sinjorba, mas os múltiplos compromissos que já assumo não permitiram. Certamente se fosse dirigente, eu iria disponibilizar meu nome à categoria para compor o Conselho.

Enfim, não faltam especulações, planos, esperanças, além, claro, da tradicional torcida contra a nossa pioneira experiência. Para mim, que acompanhei os debates das conferencias de comunicação e sempre torço para que os conselhos de direitos atuem efetivamente no controle das políticas públicas, a criação do CCS é motivo de comemoração. Claro que devemos nos manter mobilizados e vigilantes para que todo este nosso esforço coletivo não acabe em pizza, ou melhor em acarajé.... Mãos à obra!

Veja como ficou a composição de nosso Conselho de Comunicação da Bahia:

TITULARES:

Presidente: Robinson Almeida (Secom)
Antonio do Carmo/ Secretaria de Comunicação
Antonio Albino Rubim/ Secretaria da Cultura
Shirley Pinheiro/ Secretaria de Educação
Daniela Carvalho/Secretaria de Ciência e Tecnologia
Samuel Soares/Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos
Paulo Ribeiro/ Instituto de Radiodifusão da Bahia
Antonio Pinheiro/ Associação Baiana de Imprensa
Geovandro Ferreira/ Faculdade de Comunicação da UFBA
Nei Junior/ TV Aratu
Rafael Lomes/ Grupo Tucano Rádio Comercial
Edvaldo Boaventura/ Grupo A TARDE
Vera Dauster/ Rocha e Propaganda e Marketing
José de Lira/ SindTelebrasil
Pedro Dourado / Uranus 2 Mídia Exterior
Mauricio Xavier/ RX Espaço 30 Produtora
Edisvânio Pereira/ Rádio Comunitária Santa Luz FM (Movimento de Rádio Comunitária)
Majorie Moura/ Sindicato dos Jornalistas da Bahia
Fernando Silva / Associação Vermelho
Nilton Filho / Cipó Comunicação Interativa
Ceres Santos/ Associação Renascer
Daniele Silva/ União Brasileira de Mulheres
Ricardo Bonfim/ S2R Comunicação

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Claudia Correia, Assistente social, jornalista, profª da ESSCSal, Mestre em Planejamento Urbano e Regional. Contato:ccorreia6@yahoo.com.br 

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Editoria Caleidoscópio Baiano

Bicentenário da imprensa na Bahia



Claudia Correia*




A Bahia tem o privilégio de se inserir na vida cultural brasileira através da diversidade e da riqueza de expressões artísticas em muitas linguagens. Nas artes plásticas, na literatura, na música, no teatro, no cinema e na imprensa, temos dado nossa importante contribuição, evidenciando a forte influência africana e indígena na vida brasileira e construindo um rico patrimônio cultural.

Por aqui, em maio, as atenções se voltaram para os 200 anos da imprensa na Bahia. Participei de alguns eventos, como curiosa do tema e com muitas afinidades com o jornalismo impresso.

Apontamentos para a história da imprensa na Bahia”. Este é o título do livro organizado pelo jornalista Luís Guilherme Pontes Tavares, lançado em homenagem ao bicentenário da instalação da imprensa no Brasil, comemorada em 13 de maio de 2008. O autor, que foi meu professor de História do Jornalismo na FIB em 2004, é um entusiasta da imprensa no Brasil e seus curiosos protagonistas e aspectos pitorescos.

A obra foi uma proposta da Academia de Letras da Bahia e da Assessoria Geral de Comunicação do Governo do Estado da Bahia.

O livro é um excelente guia para se compreender os momentos mais marcantes da imprensa na Bahia, passando pela fundação do primeiro jornal, os cenários e realidades de cada época e como estes influenciaram a criação dos jornais e/ou dão pistas para o entendimento sobre o desenvolvimento dos jornais no estado. A obra é uma coletânea de artigos, memórias e discurso de governadores, jornalistas, historiadores e pesquisadores da temática. Em alguns textos, o relato quase pessoal da atuação da imprensa e suas características valem mais do que cronologia histórica de detalhes épicos sobre o tema.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Editoria O Efeito Quixote

Olhares participativos
na luta pela Democratização da Comunicação e da Cultura no  Rio de Janeiro


Foto: Reprodução Sinpro-Rio.
Representantes de movimentos sociais prestam atenção ao debate, no lançamento da Frente Parlamentar pela Democratização da Comunicação e da Cultura no Rio de Janeiro, no CCBB em 22/03/2011.


Leandro Rocha*  e


Nelma Espíndola**


O Blog Mídia e Questão Social vem ampliando as suas participações em eventos de mobilização social referente à luta pela Democratização da Comunicação e da Cultural, não só no Rio de Janeiro, mas nos locais onde o Coletivo Centopeia tenha uma de suas “perninhas”, no Brasil ou na França.


Fotos  de Celular:  Leandro Rocha [O Efeito Quixote]  e   Nelma Espíndola [Web@Tecno], ambos do Blog Mídia e Questão Social,  participaram do lançamento da Frente Parlamentar pela Democratização da Comunicação e da Cultura, em 22/03/2011 , no CCBB –RJ,




Aliás, nossa recente história se vincula à constituição de mais um canal aberto de discussão, análise, reflexão e questionamentos sobre o papel dos media, das questões sociais por eles abordadas, da educação e da cultura. Nossos olhares seguem atentos e participativos quanto a essas temáticas. Reforçamos o levante por tornar a comunicação um processo democrático e acessível a todos os indivíduos, pois ela é um direito humano. A “informação é poder, o horizonte que nos une e mobiliza é o direito a tê-la. Cabe-nos, então, como receptores e produtores, comunicá-la com qualidade.”
As Conferências Estaduais de Comunicação, com ênfase na do Estado da Bahia, e a 1ª Conferência Nacional de Comunicação, ambas em 2009, repercutiram no Mídia e Questão Social, graças à cobertura especial de nossa correspondente Claudia Correia, assistente social e jornalista, presente nos eventos.

domingo, 17 de abril de 2011

Editoria Estranha Semelhança com a Utopia

Sopros de oxigênio na tv aberta brasileira?
Homofobia e tortura viram debate público a partir de programas de TV

Jefferson Ruiz*



Adoro esportes. Quase não vejo novelas.
Nas últimas semanas um fato esportivo e um lançamento de novela fizeram boa parte do país debater questões importantes para a história e o momento atual no Brasil: homofobia e tortura.
Escrevo na sexta-feira, dia 15 de abril. Está começando o terceiro jogo de uma semifinal da Liga Nacional de vôlei masculino, em Contagem (MG), entre Cruzeiro e Vôlei Futuro. No primeiro jogo, na mesma cidade, toda vez que um atacante do Vôlei Futuro, Michael, ia para o saque era recebido por duas mil vozes: “Bicha, bicha, bicha”. Às vezes havia as (in)devidas variações (“Veado, veado, veado”). As palavras do jogador: “Já estava acostumado a ouvir coisas como estas, há anos. Mas foi a primeira vez que um coro unânime, de mulheres, senhoras, crianças, jovens tentavam me desestabilizar com algo que nada tem a ver com a partida. Conseguiram...”.
Michael apresentou-se ao público, nos dias seguintes à partida, como assumidamente homossexual. Disse que jamais escondeu o fato de ninguém, em nenhum dos clubes pelos quais passou. Mas tampouco o anunciou, por considerar que sua orientação sexual nada tinha a ver com o esporte que pratica. Também disse que, para ele, esta sempre foi uma questão da esfera privada. Mas que resolveu, a partir do jogo de Contagem, anunciar publicamente que prefere pessoas do mesmo sexo em suas relações afetivas, para tentar que o fato não se repetisse (com ele ou outros esportistas).

domingo, 30 de janeiro de 2011

Editoria Equipe do Blog Mídia e Questão Social

PELA  DEMOCRATIZAÇÃO DOS  MEIOS  DE  COMUNICAÇÃO
NOSSO  APOIO À AÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DIRETA POR OMISSÃO ADO 11 NO STF


Uma das inúmeras representações da Deusa da Justiça 


Reproduzimos abaixo importante nota divulgada por Fabio Konder Comparato e Maria Victoria de Mesquita Benevides sobre a Ação de Inconstitucionalidade Direta por Omissão (ODA 11), protocolada e registrada, no último dia 13 de dezembro de 2010, proposta pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Comunicação e Publicidade - CONTCOP.

Conforme Konder destaca, essa não é o tipo de notícia que os proprietários dos meios de comunicação de massa queiram divulgar. Por isso, é necessário que as redes sociais façam a sua parte, com vistas à reafirmação do processo democrático dos meios de comunicação de massa.


Saudações politico-comunicativas,


Equipe do Blog Mídia e Questão Social.

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Ação de Inconstitucionalidade Direta por Omissão (ODA 11)
UMA INICIATIVA DA CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES EM COMUNICAÇÃO E PUBLICIDADE – CONTCOP


Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato escrevem nota em apoio à ODA 11

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

HOJE, ACONTECE O I ENCONTRO CARIOCA DO BLOG MÍDIA E QUESTÃO SOCIAL, NA SEDE DO SEPE-RJ

O BLOG MÍDIA E QUESTÃO SOCIAL

CONVIDA


Após um ano na blogosfera, o Blog Mídia e Questão Social promove o seu I Encontro Carioca, com o tema Em tempos de comunicações virtuais @ DIREITO DE EXPRESSÃO, INFORMAÇÃO E QUESTÃO SOCIAL, nesta segunda-feira, dia 13 de dezembro, de 17 às 22 horas.

Local: Sede do Sindicato dos Profissionais de Educação - SEPE - RJ - Rua Evaristo da Veiga, 55, 7º andar -- Centro - Rio de Janeiro -RJ


AS INSCRIÇÕES SÃO GRATUITAS, APENAS NO LOCAL



Mesa 1- Imagem, questão social e cultura: problematizações necessárias

           PALESTRANTES : Marcia Carnaval - Mione Sales

Mesa 2 - Política e comunicação: desafios da experiência virtual
 
           PALESTRANTES : Jefferson Ruiz - Nelma Espíndola – Leandro Rocha


Blog Mídia e Questão Social - Coletivo Centopeia

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Será uma oportunidade imperdível de ampliarmos as discussões sobre a comunicação e seus impactos nos dias atuais.


Um grande abraço,


Equipe do Blog Mídia e Questão Social

sábado, 4 de dezembro de 2010

Editoria Jornalismo na Correnteza

Em silêncio sob o fogo cruzado


                         Fonte: Google



Ana Lucia Vaz*


Domingo cheguei da Ilha Grande, após cinco dias de muita floresta, cachoeira, mar e amor em família. Voltava de alma lavada, de um verdadeiro retiro espiritual.

Foi pelo Facebook que fiz contato com os primeiros sinais da histeria que começava a dominar o Rio de Janeiro. Na quarta-feira, como a correnteza insistia, decidi circular pela internet atrás de entender o que realmente acontecia. Ou melhor, o que se dizia, sob pontos de vista diferentes.

O mantra da quarta-feira era “arrastões”, mas para minha felicidade, cheguei rápido numa entrevista do professor Inácio Cano, alertando para os excessos do espetáculo. Não houve arrastão, não dava pra ter tantas certezas quanto o governo do estado já garantia ter... Enfim, li e fui cuidar da minha vida, segura de que não era para embarcar na correnteza do medo.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Editoria O Efeito Quixote

Notícias de um conflito urbano particular

Leandro Rocha*

Medo.

Essa é a palavra que mais ouço.
Nas ruas, na TV, no rádio...

Este parece ser o momento mais propício para que a “cultura do medo” ganhe espaço nas mentes e corações da população. O medo muda nossas rotinas, nos limita, impossibilita que avancemos... O medo paralisa e é assim que a cidade se encontra quando eu acordo para ir ao trabalho: paralisada com medo do que poderá acontecer no próximo segundo.

Ligo a televisão e fico atento a informações sobre as ações ocorridas no estado. Vejo os informes de ônibus e carros incendiados. Os trechos impedidos de trânsito se tornam a pauta do telejornal e o apresentador mostra sua indignação por uma opressão que secularmente atinge as comunidades menos abastadas ter se estendido a toda a cidade. Eu lamento que um espaço tão importante de expressão e informação seja ocupado por alguém que não possui a capacidade de entender que a covardia destes ataques é na verdade uma expressão da covardia e perversidade de um sistema de produção que oprime, explora e descarta pessoas. Lamento que as desigualdades sociais, inerentes ao modo capitalista de produção e potencializadas pelo abandono de um Estado neoliberal a determinados segmentos da população, sejam vistas apenas como uma questão de cunho policial, onde a força utilizada muitas vezes em substituição a várias políticas necessárias, mais pune aqueles que se encontram no lado mais fragilizado, do que busca a superação desta realidade.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Editoria Fazendo Arte & Educação

SÉRIE MÍDIA E ELEIÇÕES - SEGUNDO TURNO PRESIDENCIAL

O que é isso, companheiro? VIRANDO A PÁGINA DO SONHO

Fernando Botero. “Presidente dormindo”

“A vida muda como o sonho em luz elétrica”
Ferreira Gullar

Ricardo Pereira*


O PSOL, partido ao qual sou filiado, demorou a divulgar uma posição (voto crítico ou nulo), e eu “inspirado” por algumas colocações dos blogs-irmãos e outros companheiros, amigos e família, encho o peito de ar e me preparo para o impacto, mas vou opinar.

Somos um blog que fala sobre mídia e todos nós sabemos que os meios de comunicação - midiáticos, os mídias e todos os outros nomes que podemos chamar esse mundo da informação em rede - não são imparciais e não estou falando apenas de eleições. Estou falando de tudo nessa vida. No capitalismo os meios de comunicação estão a serviço de todas as espécies imagináveis de mercadorias, incluindo pessoas, principalmente em ano eleitoral.


A voz do dono e o dono da voz




É, nossa voz tem um dono. No mundo em que vivemos todas as coisas têm de certa forma um dono, mesmo as coisas que não vemos, como, por exemplo, o pensamento. Na nossa sociedade, é fundamental o controle do pensamento e uma parte desse controle é feito através da mídia. As mídias na “democracia” são os agentes da propaganda e da censura do sistema.

Ficou surpreso com a palavra censura? Sim? Sim, a censura existe. O conceito não está só associado aos regimes ditatoriais, quando a censura é assumida claramente e as pessoas sabem que existem informações que o Governo esconde.

Nas “democracias”, a censura também é “democrática”: escondem de nós as informações, em geral, com o excesso de informações. Somos bombardeados diariamente com milhares de propagandas.

Não sei se esse estudo já existe no Brasil, mas nos EUA já se sabe que um americano assiste a 4000 propagandas por dia; propaganda e aquelas informações vinculadas aos programas que os publicitários chamam de merchandising ou aquelas informações sem grande interesse, para assim ocultar as informações realmente essenciais. Conscientes deste processo, um grupo de jornalistas e ativistas pelos direitos humanos estadunidenses juntou-se com objetivo de tornar acessíveis as notícias censuradas. Para espanto de muitos descobriram que os impostos dos contribuintes americanos serviam entre outras coisas para formar e armar esquadrões da morte em países vizinhos, como o de Chiapas no México que combate o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN). Descobriram também, que muitas empresas multinacionais empenham-se na criação e fabricação de armas químicas e biológicas. A lista é extensa, e para maiores informações, recomendo entrar no site: sonoma.edu/projectcensored. O que demonstra a importância da internet como uma via de opiniões independente de governos e empresas.

Tudo isso para demonstrarmos que existe censura, e o pior é que nas ditaduras estamos conscientes disso, mas nas “democracias”, embora existindo, as pessoas acreditam na imparcialidade dos meios de comunicação.

Exemplos para provar como a mídia é manipulada não faltam. Talvez o exemplo mais emblemático seja o da filha do embaixador do Kuwait nos EUA que, se passando por enfermeira, foi parar na TV aos prantos, falando que soldados iraquianos tinham roubado incubadoras e matado os bebês. Tudo isso para ganhar a opinião pública americana para a guerra do Golfo. Outro exemplo que mostra como a mídia está a serviço do sistema político e econômico é uma técnica conhecida como “efeito biombo” que consiste em desviar o interesse da opinião pública para se poder assim praticar algo condenável. Temos o exemplo novamente do governo americano que aproveitou o desencadeamento da Revolução Romena (1989) para invadir impunemente o Panamá.

O grande objetivo do sistema é, portanto, tentar que a população tenha pouca ou nenhuma informação para serem mais submissas e passivas. Daí ser importante que a maioria das pessoas não tenha acesso aos meios alternativos como a internet, mas, que fique apenas com as informações requentadas pela rainha da alienação, a TV.

Por falar em TV, comecemos pelos telejornais, que, ao contrário dos jornais, não têm o objetivo de informar, mas sim entreter, divertir e sobretudo distrair as pessoas. Daí que as notícias nos telejornais não tenham background, ou seja, as notícias são vinculadas sem as devidas contextualizações no espaço e no tempo. Depois, com prejuízo de critérios de qualidade, prevalece o sensacionalismo, em que quase sempre a violência e o crime são dramatizados ao limite. A tônica recai nos casos do dia, aqueles que supostamente “interessam” ao grande público, mas que não tocam em nada de importante. Esses geram consensos.

Temos também em outro nível os analistas e os comentadores, aqueles caras que têm sempre na ponta da língua uma análise ou um comentário. Parecem grandes pensadores, mas não passam de fast-thinkers como costumava chamá-los o sociólogo Pierre Bourdier. São autênticos “Lucky Lukes do pensamento”, analisando fatos e notícias mais rapidamente do que a própria sombra (de eleição a resgate de mineiros chilenos). O truque é fácil: pensar por ideias feitas, lugares-comuns que são imediatamente aceitos por todas as pessoas e que principalmente não choquem nem dividam. O contrário disso é o pensar, e hoje em dia para muitos pensar já é subversivo. O pensamento desmonta as ideias feitas e o senso comum. Isso requer longos encadeamentos de razão, o que é impossível de acontecer na TV.

Podemos concluir que a mídia é o “cão de guarda” do capitalismo, porque faz parte e está a serviço do sistema.


Eleições e direito de expressão das candidaturas minoritárias


“Graúna”. Homenagem ao velho e saudoso Henfil.


A essa altura, vocês já devem estar se perguntando: “e as eleições?” Bem, vou chegar lá. Durante o primeiro turno, o candidato a presidente Zé Maria (PSTU), já nos alertava: “ NÃO DEIXE AS REDES DE TV DECIDIREM O SEU VOTO”. E o companheiro seguia falando que:

“As redes de TV e os grandes jornais desrespeitam dois direitos fundamentais no processo eleitoral: o direito do eleitor de saber quais são os candidatos e o que propõe cada um deles; e o direito dos candidatos inscritos junto à Justiça eleitoral do país, de expor aos eleitores as suas propostas.

Só assim seria possível o eleitor votar com consciência, escolhendo dentre todos os candidatos aquele que lhe pareceu melhor. Fora isso, a eleição se transforma em manipulação.

É isso que vem sendo feito pelas redes de TV e pelos grandes jornais. Infelizmente, até agora, a Justiça eleitoral não tomou medidas para coibir esta prática.”

Plínio de Arruda (candidato a presidente da República pelo PSOL), por exemplo, só entrou nos debates através de um liminar concedida pela justiça eleitoral. Veja bem, até aí não se ouvia de nenhum petista questionamentos sobre o papel da mídia nas eleições presidenciais. Mas, agora o calo doeu. Os donos do meio de comunicação escolheram o outro candidato para o segundo turno. Sim, procede a reclamação dos petistas, vide a demissão da colunista do jornal O Estado de S. Paulo, Maria Rita Kehl. Foi demitida do veículo após a publicação do artigo "Dois pesos...", em que fez comentários favoráveis ao programa Bolsa-Família, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No mesmo artigo, publicado no dia 2/10, Maria Rita elogia o jornal por se declarar favorável à candidatura do presidenciável José Serra, como uma atitude honesta do veículo.

O fato narrado acima ilustra um pouco o papel da mídia nas eleições, que é o de eleger os candidatos que favorecerão os seus interesses corporativos. E demonstra uma divisão de frações da burguesia neste segundo turno, pois definitivamente não é a opinião de parte do setor financeiro, que, de acordo com a recente Carta dos Bancários ao Presidente Lula, é o segmento mais lucrativo do país, tendo os seis maiores bancos auferido R$22 bilhões somente no primeiro semestre deste ano.


Contra a farsa da democracia: voto nulo e boicote ao processo eleitoral


Charge do artista André Arantes

Como outros blog-amigos, estou muito chateado com essa farsa que a mídia burguesa insiste em chamar de festa da democracia. Continuo achando que a participação no processo eleitoral do jeito que está formatado (militantes de aluguel, campanhas midiáticas milionárias, ausência da esquerda nos debates eleitorais e fraude nos institutos de pesquisa) se transforma em uma ilusão e armadilha para os partidos de esquerda, que acabam se pautando cada vez mais pelo calendário eleitoral e se afastando das mobilizações e lutas sociais, que, na minha opinião, são a única forma capaz de alterar as condições de vida da população.

Infelizmente, a esquerda - PSOL, PSTU e PCB - mais uma vez se dividiu na busca por melhores ajustes eleitorais (perfil midiático, liderança na chapa e tempo de TV). Eu, mesmo achando tudo isso ridículo, montei minha chapa, misturando as legendas do PSOL/PSTU (que carnaval!) e fui votar.

Nesse jogo de cartas marcadas, o resultado não poderia ser outro para a esquerda no Brasil. Teremos dois senadores (Amapá e Pará) e três Deputados Federais pelo PSOL (entre eles, Jean Willis, ex-BBB) e vimos crescer o eleitorado da direita no país, em especial do PMDB (contando com a ajuda do PT, que abriu mão de lançar candidatos em três estados centrais para apoiar os partidos da base). Além disso, assistiu-se ao aumento do número de "artistas", "cantores" e ex-jogadores de futebol eleitos, mas que talvez ocupem um espaço do voto de protesto que tradicionalmente seria nosso, da esquerda.

O que me leva a questionar se nosso esforço militante e financeiro não seria melhor empregado em campanhas de boicote e questionamento a este modelo de “democracia”. Investiríamos o restante em formação de uma nova cultura política e nas lutas sociais, sem nos preocuparmos com calendário eleitoral.


O PT versus as pautas da agenda burguesa



Quanto ao Segundo Turno, penso que o PT não está muito interessado no meu voto. Na verdade, ele está mais preocupado em fazer concessão para a direita (ver matérias sobre o aborto publicadas nos últimos dias na mídia).

Estou com a mesma posição de uns amigos que defendem o voto nulo. Começou a preparação para resistir à Contra-reforma da Previdência, seja Dilma ou Serra. Pergunto-me, porém, sinceramente, nesse exercício de pensar alto e ouvir meus camaradas de blog: será que o PT fora do Governo não iria fazer oposição a essas reformas neoliberais? O PT, com a bancada gigante no Congresso (contou, inclusive, com os votos do Tiririca em SP), vai atrasar ou não essas pautas da agenda burguesa?

Deveríamos, sim, propor um boicote ao segundo turno das eleições, questionar o processo eleitoral, começando pela obrigatoriedade do voto (mereceria um outro artigo), que é um dos grandes legados da ditadura militar no Brasil.


Sonho mau: Dilma de olho nas lideranças evangélicas



A Dilma começou a campanha no Rio de olho nas lideranças evangélicas (ver carta divulgada). Como eu temia, o PT, acuado pela direita, vai “endireitando” ainda mais o seu discurso e programa. Aí fica dificil de votar ou pedir voto! Ainda por cima veio ao Rio de Janeiro defender a política de segurança de sucesso do governador Sergio Cabral e sua exportação para todo o Brasil (já tinha falado essa baboseira nos três debates).

Juro que estou tentando bravamente, mas a Dilma e o PT não estão contribuindo!

Delfim Neto no “Valor Econômico” na sexta-feira, dois dias antes do primeiro turno: "Todos sabem que qualquer que seja o candidato que ganhe, se não for Plínio de Arruda Sampaio, tudo fica como está e seguirá se aperfeiçoando. Pode ter uma mudancinha aqui outra acolá, mas nada substantivo".

Por isso, eu voto nulo no segundo turno. Quem diria, eu, um velho “Trosko”, concordando com o Delfim.

O Brasil melhorou? Claro, mas dava pra ficar pior. É o país dos nossos sonhos? Esse é um debate duro. O argumento dos petistas tem como base o Programa Bolsa-Família, o qual, dependendo da renda familiar por pessoa (limitada a R$ 140), do número e da idade dos filhos, paga a cada cidadão o valor do benefício entre R$ 22 a R$ 200.

Tenho certeza de que esse valor não altera radicalmente a condição de vida do nosso povo. Não estou falando de “achismo”. Vou quase todos os dias ao Jardim Gramacho em Caxias (ao lado do lixão), em Sargento Roncalli (Belford Roxo) ou Capivari (Caxias) e não deve ser muito diferente da realidade em outras periferias por este Brasil afora.

Não vou nem falar sobre a felicidade estampada num crediário feito nas Casas Bahia ou sobre o Crédito Fácil, que se soma à vida dura de endividamento e desespero dos trabalhadores, porque obviamente os salários (principalmente o salário mínimo, mesmo com ganho real) não acompanham o elevado número de impostos, as altas tarifas e os juros que geram elevados lucros para a parceria financeira entre o comércio e os bancos.

Meus alunos, aqueles menos politizados, vez por outra, aparecem com candidatos, para dizer o mínimo, um tanto quanto esdrúxulos, conservadores, pró-sistema. São candidatos de direita, mas o meu discurso é invariavelmente o mesmo: “anota esse nome e guarda com carinho, procura acompanhar o que ele faz, no que ele vota. Em resumo, vê o que e quem ele defende, quais os interesses por trás disso tudo...” Em geral, eles fazem a experiência e mudam de voto (infelizmente, nem sempre da forma como eu gostaria).

Por isso, não compreendo os petistas acharem natural o voto na Dilma. Não vou falar de toda minha trajetória, mas fui militante do PT (digo com muito orgulho) e fiz campanha para o companheiro Lula desde a primeira vez, em 1989. Esta experiência está guardada em minha mente e marcada na minha alma. Uma das primeiras imagens, porém, do Lula Presidente que vêm à minha memória é a dele indo aos EUA e chamando o Bush de “companheiro”. Neste momento, arrependi-me do voto digitado na urna, em 2002.

Lula e os petistas escolheram os seus parceiros nesses oito anos de Governo e definitivamente meu lugar não é deste lado da barricada. Vou fazer como o meu aluno e, desta vez, mudar o meu voto.





Ricardo Pereira – é professor Docente da disciplina de Artes da rede estadual, militante e funcionário do SEPE/RJ. Contato: e-mail: ricardoploc80@globo.com

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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Editoria Web@Tecno

Quando a liberdade de expressão se torna um « delito de opinião »

Imagem: Google
Nelma Espíndola*


É no mínimo curiosa a maneira da grande imprensa brasileira assegurar a “liberdade de imprensa”, quando ela se choca, na prática, com o exercício da “liberdade de expressão”. Triste realidade vivida recentemente pela psicanalista Maria Rita Kehl, que foi demitida do jornal O Estado de São Paulo, após ter publicado na véspera das eleições (02 de outubro), em sua coluna, um artigo que fala sobre “a desqualificação dos votos dos pobres”, com o título “Dois pesos...”

Neste caso, sua “liberdade de expressão” contrapôs-se aos interesses do Grupo O Estado de São Paulo, o que lhe custou a censura e o corte do espaço que dispunha naquele jornal para comunicar-se com uma parcela significativa da sociedade.

Os limites da liberdade de imprensa ficaram bem explícitos com sua demissão, no último dia 06 de outubro. Isto significa que esse tipo de liberdade de imprensa possui, de fato, dois pesos. Constitui um direito e poder para a “máquina de fazer e reproduzir notícia”, de “informar” o que for de seu maior interesse, associado aos de outros grupos das classes sociais mais abastadas. Por isso, este conceito restrito de liberdade cabe inteirinho à imprensa burguesa.

A liberdade de expressão ou a liberdade de comunicação, como alguns conceituam, foi, por outro lado, literalmente expurgada de Maria Rita. Em entrevista com Terra Magazine < Política, no dia 07 de outubro, a jornalista definiu sua demissão da seguinte forma: “Fui demitida por um ‘delito’ de opinião”. E acrescenta: “como é que um jornal que anuncia estar sob censura [referência à perseguição desse jornal pela ala do PMDB com poder no Planalto], pode demitir alguém só porque a opinião da pessoa é diferente da sua?”.

Terra Magazine < Política entrevistou no mesmo dia, Ricardo Gandour, diretor de conteúdo do Grupo Estado de São Paulo, que diz inicialmente que “não houve demissão”, simplesmente afirma que: “Colunistas se revezam, cumprem ciclos” e que “Não houve censura a Maria Rita Kehl”. Segundo Gandour, o projeto original do caderno C2 + música era o de constituir um “espaço em torno da psicanálise. Um divã para os leitores. Mas este não era o enfoque que ela vinha praticando e frequentemente conversávamos sobre isso.”

Desde quando é impossível em psicanálise falar sobre política? Viver em sociedade é viver num emaranhado político, com acordos, discordâncias, e correlação de forças. Mas tudo fica subitamente transparente, na medida em que o processo de demissão foi motivado por um artigo reflexivo e questionador, na véspera de eleição majoritária, sobre a “desqualificação” dos votos dos pobres por uma classe minoritária, mas com influência de “mando”.

Este fato nos faz ver como o “quarto poder” ou o que hoje ironicamente se conceitua como PIG – Partido da Imprensa Golpista – utiliza-se de seus meios de influências para fazer valer o seu pensamento e credo.

A Web@Tecno não poderia deixar de se solidarizar e re-produzir em seu espaço o artigo da colunista e psicanalista Maria Rita Kehl, que originou a sua demissão, por nossa responsabilidade em contribuir com o debate sobre a mídia, assim como sobre o que pode ser determinante no destino de nosso país, no próximo dia 31 de outubro.

Nem é preciso dizer que os ditos "desqualificados" - até recentemente « sem-cidadania », conforme diz Kehl - têm todo o direito constitucional de opinar e de também decidir sobre uma eleição por todos os meios e possibilidades disponíveis ao exercício da cidadania e justiça social, sem que isto seja apenas um jargão de marketing político.


* Nelma Espíndola é assistente social, webmaster e Colaboradora do Blog Mídia e Questão Social.

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Dois pesos...


02 de outubro de 2010 0h 00

CPFL Cultura/Divulgação

Maria Rita Kehl - O Estado de S.Paulo


Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.

Se o povão das chamadas classes D e E - os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil - tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.

Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por "uma prima" do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.

Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da "esmolinha" é político e revela consciência de classe recém-adquirida.

O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de "acumulação primitiva de democracia".

Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.

Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.