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sábado, 7 de julho de 2012

Editoria Volta do Mundo, Mundo da Volta

Mundo vasto mundo: acordes pra acordar!




Mione Sales*

Dos ataques sangrentos contra civis promovidos pelo governo da Síria nos últimos meses aos assassinatos e perseguições homofóbicas em crescimento exponencial no Brasil, parece que a maré do mundo não está muito para peixe. Fica-se sempre com aquela sensação de que com os meios de comunicação e sobretudo a Internet, o mundo talvez tenha ficado pequeno demais e cada vez mais próximo, inclusive a sua violência. Não se sabe se ficamos a par de mais notícias ruins ou se as notícias ruins juntamente com os seus fatos se multiplicam qual um vento galopante na contemporaneidade.

A charge que escolhemos para abrir a matéria, que traz a nossa pequena musa Mafalda, uma criação do argentino Quino, diz bem do desconforto e mesmo dor com que narramos ou lemos o que se passa na política mundial, como a crise econômica avassaladora em países da Europa como Grécia, Portugal e Espanha. O geógrafo marxista David Harvey assinalou muito bem, em Conferência na Escola de Arquitetura de Belleville (Paris, 2010), « não tarda a crise chega até você ». Faz parte do seu ciclo de expansão e reprodução, como característica intrínseca do capitalismo em sua etapa atual. Ela já esteve nos Estados Unidos, agora está impactante na Europa, mas o mundo gira…  Por isso, melhor não esquecer a solidariedade para com os países, povos e camadas oprimidas e exploradas da sociedade.

domingo, 17 de abril de 2011

Editoria Estranha Semelhança com a Utopia

Sopros de oxigênio na tv aberta brasileira?
Homofobia e tortura viram debate público a partir de programas de TV

Jefferson Ruiz*



Adoro esportes. Quase não vejo novelas.
Nas últimas semanas um fato esportivo e um lançamento de novela fizeram boa parte do país debater questões importantes para a história e o momento atual no Brasil: homofobia e tortura.
Escrevo na sexta-feira, dia 15 de abril. Está começando o terceiro jogo de uma semifinal da Liga Nacional de vôlei masculino, em Contagem (MG), entre Cruzeiro e Vôlei Futuro. No primeiro jogo, na mesma cidade, toda vez que um atacante do Vôlei Futuro, Michael, ia para o saque era recebido por duas mil vozes: “Bicha, bicha, bicha”. Às vezes havia as (in)devidas variações (“Veado, veado, veado”). As palavras do jogador: “Já estava acostumado a ouvir coisas como estas, há anos. Mas foi a primeira vez que um coro unânime, de mulheres, senhoras, crianças, jovens tentavam me desestabilizar com algo que nada tem a ver com a partida. Conseguiram...”.
Michael apresentou-se ao público, nos dias seguintes à partida, como assumidamente homossexual. Disse que jamais escondeu o fato de ninguém, em nenhum dos clubes pelos quais passou. Mas tampouco o anunciou, por considerar que sua orientação sexual nada tinha a ver com o esporte que pratica. Também disse que, para ele, esta sempre foi uma questão da esfera privada. Mas que resolveu, a partir do jogo de Contagem, anunciar publicamente que prefere pessoas do mesmo sexo em suas relações afetivas, para tentar que o fato não se repetisse (com ele ou outros esportistas).

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Editoria Caleidoscópio Baiano

O AMOR FALA TODAS AS LÍNGUAS

Claudia Correia*


O Conselho Federal de Serviço Social – CFESS lançou em 2006, uma campanha em defesa da liberdade de orientação sexual. Lembro que o belo cartaz, de fundo vermelho, trazia fotos de casais homo e hetero afetivos. O slogan era “O amor fala todas as línguas”.

Aqui na Bahia o lançamento desta campanha mobilizou, num ato político, entidades de direitos humanos e representantes do movimento Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais – LGBT e denunciou o preconceito e a homofobia como crimes. Esta articulação foi uma ótima oportunidade para o Cress-Bahia estreitar nossos laços de aliança política com este importante movimento social.

Já na década de 80, o Grupo Gay da Bahia-GGB, era um aliado essencial nas lutas políticas de entidades aqui em Salvador, no combate à AIDS e no trabalho socioeducativo em escolas e associações de moradores. Na época, eu militava no movimento indigenista e o GGB estava sempre presente nas nossas manifestações em repúdio ao genocídio e a violação dos direitos das 12 comunidades indígenas do estado. Até hoje a entidade se mantém firme na defesa dos direitos humanos e constrói um trabalho sério.

Este mês, o CFESS e a Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social – ABEPSS divulgaram cartas de repúdio à Faculdade de Minas – FAMINAS em Muriaé, Minas Gerais, por ter proibido a veiculação de um cartaz da 7ª Semana Acadêmica de Serviço Social que continha uma fotografia de um casal homoafetivo se beijando. A empresa Lael Varella Educação e Cultura Ltda, mantenedora da FAMINAS alegou que a imagem deporia contra a instituição e sugeriu algo “menos ofensivo à família”.