Mostrando postagens com marcador Educação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Educação. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Editoria O Efeito Quixote

Atenção, trabalhadores em GREVE!!!

DESCULPE O TRANSTORNO: LUTAR É UM DIREITO

Arte: Tarsila do Amaral

Leandro Rocha*

Há cerca de 2 meses, foi iniciada uma greve dos servidores públicos federais que perpassou searas como as políticas de saúde e educação.

Serviços de extrema importância, como hospitais e universidades fecharam suas portas e/ou restringiram seus atendimentos. Ruas e avenidas foram fechadas por manifestantes em protestos que, segundo as emissoras de TV, geraram  “transtornos aos trabalhadores que tentam chegar aos seus locais de trabalho e que não têm nada a ver com isso!”. Mas será que estes transtornos são gerados pelos grevistas e pela greve por si só?



É lógico e óbvio que as ações de greve incidem e têm impacto direto no cotidiano da população. Este, inclusive, é o seu objetivo!


Tais ações visam chamar a atenção da população para as determinantes da greve, tais como a precarização e extinção dos serviços públicos, a privatização dos mesmos, o ataque às condições de trabalho das categorias profissionais inseridas nestes serviços, o afunilamento do “gargalo” de acesso da população a estes serviços, entre tantas outras questões.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Editoria Caleidoscopio Baiano

O Serviço Social na Educação

Claudia Correia*




No Brasil, toda vez que ocorre uma tragédia, explorada pela mídia sensacionalista, envolvendo os atores sociais do ambiente escolar e o contexto social em que se insere, o debate sobre a atuação do Serviço Social na Educação se fortalece. Não comungo da idéia que o trabalho social neste campo seja “o salvador da pátria”, capaz de operar milagres, humanizar relações, erradicar a violência. Nem em milagres acredito. Numa sociedade capitalista e complexa é arriscado reduzir tudo ao tecnicismo ingênuo. Prefiro apostar em processos sociais em que nós, assistentes sociais, traçamos estratégias políticas de intervenção profissional e buscamos alianças com movimentos sociais e categorias comprometidos com a defesa dos direitos , incluindo a educação de qualidade.

A inserção dos assistentes sociais na política pública de educação vem crescendo. Já existem projetos de lei tramitando na Assembléia Legislativa da Bahia e na Câmara Municipal de Salvador instituindo o Serviço Social na rede pública de ensino. Pelo país afora esta regulamentação legal vai ganhando corpo. A mobilização da categoria dos assistentes sociais em defesa destas iniciativas e os estudos acadêmicos sobre este campo de trabalho avançam.

Levantamentos da Comissão de Educação do Conselho Regional de Serviço Social CRESS/Bahia mostram que as Unidades de Formação Acadêmica estão empenhadas na dinamização curricular com esta temática em práticas de ensino, pesquisa e extensão. A intensificação das produções acadêmicas em termos da graduação e da pós-graduação marca um tempo de contribuição com as questões que desafiam a seguridade do direito à educação. Temos que ampliar o olhar sobre a inserção do Serviço Social na Educação para além das escolas de ensino fundamental. Ela está associada também à Educação Infantil, nas creches e escolas comunitárias, bem como no ensino técnico-profissionalizante e na Educação Superior. Daí dizer que lutamos pela inserção de assistente sociais nos diversos segmentos da política educacional pública, que tem como foco as expressões da questão social que interferem na aprendizagem, mas que a extrapolam no cotidiano das relações entre famílias e bairros.


Muito além da sala de aula

A complexidade da questão social retratada no cotidiano escolar exige uma intervenção articulada entre as políticas setoriais como a saúde, a assistência social, a cultura, o esporte e lazer e a segurança pública.

São muitos os casos de exploração e violência sexuais identificados a partir do comportamento das crianças na escola. A presença das drogas desafia educadores e governantes. O trabalho infantil reflete diretamente no rendimento do aluno. São dramáticos os índices de evasão: o último censo escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais mostrou que 15% dos jovens brasileiros deixaram o Ensino Médio em 2004, ou seja, 1,4 milhão de alunos matriculados que abandonaram a escola, além de 8% do Ensino Fundamental.

Educadores se empenham para compreender e mediar sozinhos as influências da dura realidade social sobre a comunidade escolar. Para atuar neste cenário temos que fortalecer as interfaces entre os Centros de Referência da Assistência Social (CRAS), as escolas, os Programas de Saúde da Família (PSF) e outros com foco nos direitos sociais.

Por isso, mais do que uma luta corporativista, esta valiosa presença dos assistentes sociais na política pública de educação deve ser defendida por toda a sociedade.

Para a professora Liane Monteiro(UCSal), autora da dissertação :“TRABALHO DE ASSISTENTES SOCIAIS NA ESCOLA PARQUE DE SALVADOR :CONTRIBUIÇÕES PARA AS RELAÇÕES ENTRE FAMÍLIA, ESCOLA E COMUNIDADE NOS ANOS 2000” (Mestrado em Políticas Sociais e Cidadania- UCSal) este trabalho tem como pano de fundo o direito à educação pública laica, de qualidade e universal, nas dimensões do acesso, da permanência e do êxito educacional. “Ainda que notemos a ampliação do acesso à educação no Brasil, o acirramento das condições de vulnerabilidade social entre famílias e territórios urbanos onde se inserem as escolas, desafia os gestores no cumprimento da função social da escola, como instância de proteção, buscando estratégias de permanência e êxito dos alunos. É neste sentido que a ação multidisciplinar envolvendo assistentes sociais e psicólogos contribui efetivamente para estudar e criar medidas protetivas ante as expressões das desigualdades sociais, que tem nas diversas formas de violências o seu ponto mais crítico, gerador de infrequência e evasão entre alunos e de adoecimento entre professores”, afirma ela.



O papel do conjunto CFESS/CRESS

O Serviço Social na Educação, sob orientações das diretrizes gerais debatidas junto ao Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) e demais Conselhos Regionais deve levar em conta a escola e o espaço social a que pertence, a escola como instância de inclusão social e a escola como instância de organização social participativa.

No último encontro nacional o que aconteceu em setembro,em Brasília, promovido pelo CFESS observamos a forte tônica que a temática do direito à Educação ocupou nos quatro dias de encontro. A representação do GT Nacional Educação do CFESS foi trazida para a Bahia, como representante do Nordeste e vamos sediar em Alagoas, em 2012, o primeiro encontro nacional de Serviço Social na Educação. Os representantes regionais se reúnem agora para debater uma agenda de ações de publicização do documento “Subsídios para o debate do Serviço Social na Educação”, gerado a partir de pesquisa realizada pelo CFESS em todos os estados.

Você se interessa por este tema? Confira aqui a dissertação de Liane Monteiro, o documento do CFESS e o relatório do Encontro Nacional CFESS/CRESS (setembro, Brasília). Participe deste debate nos estados, nas Casas Legislativas e no conjunto CFESS/CRESS.


Dissertação de Tese de Liane Monteiro Santos Amaral:

Trabalhos de Assistentes Sociais na Escola Parque de Salvador
Contribuições para relações entre família, escola e comunidade nos Anos 2011












[Em breve será disponibilizanda]

Documento do CFESS:





















40º Encontro Nacional CFESS/CRESS













Relatório Final


* Claudia Correia, Assistente social, jornalista, profª da ESSCSal, Mestre em Planejamento Urbano e Regional. Contato: ccorreia6@yahoo.com.br

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Estréia hoje a Editoria...

Fazendo Arte & Educação


Ricardo Pereira*


Um alô, para começar

Sou professor de Artes da rede estadual no Rio de Janeiro, antiga Educação Artística. Hoje, é minha estréia por aqui. Não sei se começo Fazendo ARTE, não sei se começo com Educação. Depois de um lampejo rápido de decisão, farei as duas coisas, pois todo educador seja formal ou popular, prima pela educarte sempre, com todo o neologismo necessário para essa explicação. Se você não entender de pronto,não se preocupe, pois durante a nossa convivência virtual, perceberá o quanto a arte é necessária para se educar. E me conhecerá!

Sou um professor-camarada, ou pelo menos busco ser. Essa postura de horizontalidade tem a ver com a minha história de participação no movimento estudantil também no Rio de Janeiro, desde a AMES-RJ (Associação Municipal de Estudantes Secundaristas do Rio de Janeiro) até o DCE (Diretório Central dos Estudantes) da UERJ. A experiência entre os estudantes « cara-pintadas », sujeitos políticos-chave na luta pelo impeachment do Collor, me deu toda a prova de que o saber não é coisa de se guardar pra si, mas algo para viver e partilhar tanto quanto para questionar e transformar. É preciso espraiá-lo ao nosso redor, principalmente junto aos que estão à espera do conhecimento para entenderem a si mesmos, a vida, e as instituições, com as quais têm laços apertados. Hoje, uma de muita importância, a educação, precisa ser cuidada, zelada e revolucionada em muitos sentidos.

Penso no prumo que meus alunos precisam para a construção de suas vidas num futuro próximo, dentro de uma perspectiva de independência e, vou usar uma palavra da moda, sustentabilidade. Mas não me apoio nessa linha de modismo, na verdade, mas nos direitos sociais que precisam ser ditos, explicitados. A arte e a educação, associadas à cultura - com seu misto de criatividade, potencial rebeldia e socialização para a entrada no mundo adulto - podem contribuir e muito nessa proposta.

 
Agora, estou pronto para começar... Com as mãos geladas, mas teclando com todo o gosto. Falarei abaixo de coisa muito séria - educação, e fecho com coisa muito bonita – arte. 


Educação do Estado Rio de Janeiro no CTI  

Recentemente o blog Mídia e Questão Social divulgou matéria do Uol, que expunha a realidade da educação no Estado do Rio de Janeiro. Vocês ainda não sabem, mas sou também profissional do SEPE-RJ (Sindicato dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro), razão pela qual meus companheiros de blog acharam que eu teria a acrescentar ao debate que já vem sendo travado por aqui sobre mídia, questão social e cultura. O poema abaixo diz bem ao que vim: 
“Sou profissional da educação a favor da decência contra o despudor, a favor da liberdade contra o autoritarismo, da autoridade contra a licenciosidade, da democracia contra a ditadura de direita ou de esquerda. Sou profissional da educação a favor da luta constante contra qualquer forma de discriminação, contra a dominação econômica dos indivíduos ou das classes sociais. Sou profissional da educação contra a ordem capitalista vigente que inventou esta aberração: a miséria na fartura. Sou profissional da educação a favor da esperança que me anima apesar de tudo. Sou profissional da educação contra o desengano que me consome e imobiliza. Sou profissional da educação a favor da boniteza de minha própria prática, boniteza que dela some se não cuido do saber que devo ensinar se não brigo por este saber, se não luto pelas condições materiais necessárias.” (adaptado da obra de Paulo Freire)
Por isso, nessa primeira matéria para a nossa editoria Fazendo Arte & Educação, decidi contar para vocês, de forma mais precisa e completa, como fazemos o tal cálculo que permite mensurar os dados de carência de profissionais na rede de ensino estadual. É simples.
O Sindicato (SEPE-RJ) vem utilizando, atualmente, uma metodologia que é a leitura e acompanhamento sistemático das exonerações e aposentadorias publicadas no Diário Oficial do Estado. Pegamos esse número e deduzimos do número de chamadas de concursados, revelando um primeiro dado de carência dos profissionais de educação. Somam-se a esse cálculo os números de Gratificação por Lotação Provisória /GLP (hora extra do professor), declarados pela SEEDUC (Secretaria Estadual de Educação), que totaliza um quadro de carência geral, o qual dividido por dias úteis nos fornecerá um total de saída diária desses profissionais. Chega-se ao cálculo absurdo de quatro professores por dia fora de sala de aula em 2010. Vejamos abaixo um quadro que detalha a situação:


QUADRO DE CARÊNCIA DE PROFESSORES – REDE ESTADUAL/RJ*

Levamos em consideração a declaração da SEEDUC em 2002, contabilizando em 26.000 a carência de professores na rede estadual.

Esses números de exonerações e aposentadorias são precisos, diferente do que diz a matéria do portal UOL. Tem ainda números não divulgados pelo Governo, o que demonstra que a situação é ainda mais alarmante. Não temos acesso, por exemplo, ao número de licenças médicas, de professores em readaptação (fora de sala de aula) e de quantos professores chamados realmente tomaram posse. Esses dados que revelam a migração dos professores para fora do sistema estadual vêm crescendo principalmente quando levamos em conta o aumento de casos de assédio moral e violência nas escolas, com média de cinco a dez casos denunciados diariamente ao Sindicato.


Promessas vãs: a história se repete

Mas com toda certeza, o principal fator desse verdadeiro êxodo profissional é a desvalorização dos profissionais. Ainda em campanha, em 2006, Sérgio Cabral se comprometeu, por iniciativa própria (através de carta dirigida à casa dos profissionais da educação do Estado), com várias reivindicações históricas dos profissionais da educação. Algumas destas promessas: reposição das perdas salariais dos últimos 10 anos; descongelamento do plano de carreira dos funcionários administrativos; fim da política de gratificação do Nova Escola e incorporação do valor da gratificação ao piso salarial; fim da política de abonos; abono das greves e paralisações e fim das terceirizações e contratos precários e abertura imediata de concurso público.
Destas medidas devemos destacar que a “política salarial” do governador foi a de incorporação da gratificação do Nova Escola gradualmente até o ano de 2016 (parece piada!), o que, para nós, é, no entanto, direito líquido e certo. Política de valorização apenas através da incorporação de abonos não pode ser levada a sério. E nossas perdas salariais acumuladas nesses anos de arrocho?

Durante esse governo, fizemos inúmeras manifestações em defesa de maior investimento na educação, já que Cabral em sua carta-compromisso dizia que uma de suas metas, caso eleito, seria a de “...fazer da educação do Estado do Rio de Janeiro um modelo para todo o país.”


Uma dura realidade: a educação no Estado do Rio de Janeiro em alerta vermelho

Recebemos no Estado salários aviltantes, salário este menor do que a maioria das redes municipais; soma-se a isso a falta de condições de trabalho, salas superlotadas, aumento de tarefas por falta de profissionais de apoio (pessoal de secretaria, merendeiras e principalmente inspetores), ausência de concursos públicos que deem conta da necessidade funcional nas unidades de ensino, a estrutura física das escolas não tem manutenção suficiente, não há materiais para serem utilizados nas atividades, não é investido o mínimo do orçamento previsto pela Constituição, etc. O resultado é a queda vertiginosa da qualidade do serviço da escola pública e o seu desprestígio crescente na sociedade.

A escola pública, instituição sistematicamente desvalorizada, atacada e desprestigiada, necessita de muitas políticas públicas para se reerguer.

Recentemente foi divulgado o índice de avaliação do IDEB 2010 (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) que classificou o Estado do Rio de Janeiro como um dos piores, “perdendo” apenas para o Piauí. Não nos espantam - visto que vimos acompanhando diariamente a situação a partir do SEPE-RJ - os dados do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) divulgados no jornal “O Globo” de domingo (05/09) –, demonstrando que, entre 2006 e 2009, o Rio de Janeiro teve a maior queda no número de alunos matriculados no país.

O “modelo” de Sérgio Cabral nós conhecemos, infelizmente. Tudo o que houve de avanço para a categoria foi arrancado a duras penas.

O melhor exemplo dessa postura do governo Cabral é o do dia 15 de setembro do ano passado, quando, ao se deparar com uma manifestação pacífica dos profissionais da educação, organizada pelo SEPE/RJ, sua polícia militar nos recebeu com bombas de efeito moral, o que acarretou lesões físicas em vários profissionais da educação, afastando-os do trabalho por alguns meses, incluindo esse que vos escreve.

Diante dessa situação, aprovamos em nossos fóruns uma marcha no dia 16 de setembro, que sairá da Candelária em direção à Cinelândia, onde será realizada uma manifestação. Lançaremos, nesta oportunidade, um manifesto em defesa da escola pública e dos serviços públicos estaduais.

Contamos com a presença dos/as companheiros/as nesta atividade, para fortalecer a defesa pela escola pública, gratuita, laica e de qualidade.

Os governos passam, mas a escola pública resistirá!


Esperança que nos anima apesar de tudo 



O autor do desenho acima, Diógenes Magno, é aluno do 9° ano da Escola Municipal Argentina, Vila Isabel no Rio de Janeiro. Gosta de arte e criou o blog Franca Mente [diihm.blogspot.com], no qual faz uma exposição virtual de alguns de seus desenhos.

Já podemos observar uma marca própria em seus "personagens" e cenários. Menino de grande talento, procura sempre se antenar com a vida cultural da cidade. Tem interesse por Graffiti e participa ativamente de todas as atividades artísticas na sua escola. Em 2009, participou da pintura do muro da escola junto com colegas e professores...




::::::::::::::::::::::::::::::::::


Ricardo Pereira - é professor Docente da disciplina de Artes da rede estadual, militante e funcionário do SEPE/RJ. Contato: e-mail: ricardoploc80@globo.com

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Editoria Equipe Mídia & Questão Social

Pequena cartografia da educação estadual no Rio de Janeiro

          Fonte: google

Nós do blog Mídia e Questão Social temos a convicção de que para que não sejamos submetidos à visão de mundo estreita que tenta nos impor o império das comunicações no Brasil e sua força, temos que – dentre outras transformações necessárias à democratização da mídia – fortalecer as políticas públicas de educação e cultura, assim como os movimentos sociais ligados a essas areas. Por isso, para dar uma ideia do problema da educação no país, ilustramos com uma pequena mostra da situação funcional e salarial dos professores da rede estadual do Rio de Janeiro. A matéria não é nossa, mas conta com o depoimento do SEPE – Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro. Por isso, assinamos embaixo.

Equipe do Blog Mídia & Questão Social

::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

Deu no UOL Educação

Rede estadual do RJ perde quatro professores por dia; baixo salário seria motivo da desistência


Elisa Estronioli
Em São Paulo

De janeiro a junho de 2010, a rede estadual do Rio de Janeiro perdeu quase quatro professores por dia, sem contar aposentadorias, mortes e demissões. Isso significa que 681 docentes foram exonerados da Educação estadual. Os dados obtidos pelo UOL Educação são da Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro. De acordo com o Sepe (Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação), os professores abandonam a rede por causa dos baixos salários.

Além dos professores exonerados, 1.029 professores se aposentaram, 137 morreram e 170 foram demitidos - num total de 2.017 professores. A rede estadual conta com 75 mil professores. Considerados todos esses motivos, o sistema perdeu 11 profissionais por dia no mesmo período.

Segundo a Secretaria, a exoneração pode representar duas situações: ou que o professor realmente está deixando a rede ou que foi aprovado em um novo concurso e teve de deixar sua matrícula anterior. Nem a secretaria nem o sindicato conseguem precisar quantos desses professores realmente abandonaram a rede pública, mas o Sepe afirma que eles representam a maioria absoluta dos casos de exoneração.

Com a rotatividade no sistema estadual de ensino, a necessidade de concursos é constante. Segundo a secretaria, o último foi feito em 2009, para disciplinas e coordenadorias regionais onde não existiam mais candidato a serem convocados de concursos anteriores. Além disso, foram convocados profissionais que fizeram concurso em 2007 e 2008.


R$ 765 de salário

Os salários baixos, uma reclamação que não é exclusividade dos docentes fluminenses, são o principal motivo dos abandonos. De acordo com o sindicato, os professores de nível 3, com formação superior, que representam a maioria dos contratados pelo Estado do Rio de Janeiro, recebem no início da carreira vencimentos de R$ 765,66. No nível 9, o mais alto da carreira, o salário chega a R$ 1.511,27.

“Com esse salário [de R$ 765,66], os professores estão dando aula em duas, três escolas, e o Estado não paga o transporte. No fim do mês, o professor fica com um salário mínimo”, diz Maria Beatriz Lugão, coordenadora do Sepe.

Segundo levantamento do sindicato, em 2009 o número de exonerações também foi bastante alto: 1540. "Neste ano, o piso estava abaixo de R$ 500", justifica Lugão.

O professor Nicholas Davies, da UFF (Universidade Federal Fluminense), concorda com o Sepe: "O professor não permanece na rede porque o salário é muito ruim. Eu mesmo fui professor durante nove anos, mas assim que pude prestei concurso para a UFF."

Segundo Lugão, por causa disso, a rotatividade no setor é muito alta. “Muitos professores não ficam nem um ano na rede. Assim, não é à toa que o Rio de Janeiro esteja no penúltimo lugar do ranking do Ideb”. No último Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), referente a 2009, as notas de rede estadual do Rio de Janeiro ficaram abaixo da média nacional em todos os ciclos. De primeira a quarta série, a média da rede estadual fluminense foi 4,0, contra 4,6 na média nacional. De quinta a oitava, foi 3,1 contra 4,0 no Brasil. No ensino médio, 2,8 contra 3,6.


[Fonte: http://educacao.uol.com.br/ultnot/2010/08/26/rede-estadual-do-rj-perde-quatro-professores-por-dia-baixo-salario-seria-motivo-da-desistencia.jhtm ]

domingo, 11 de julho de 2010

Editoria Volta do Mundo, Mundo dá Volta

Bibliotecas: da ficção à realidade


Mione Sales*


                       Fonte: Google

Muitas crianças e jovens desse imenso Brasil, « de coração mole e escorrendo », como diria Mario de Andrade, desejam muito precocemente ler. Não como algo imposto ou induzido pelo mundo adulto, mas simplesmente como uma intuitiva curiosidade e necessidade interna de sentido. Como diz uma máxima à qual fui apresentada ao longo da vida, « nunca está só quem possui um bom livro para ler e boas ideias sobre as quais meditar ». Uma perspectiva, à primeira vista, muito solene para uma criança, porém algumas delas descobrem-se diferentes e com vontades específicas, como a de ir mais cedo para a cama apenas para abrir com tranquilidade um livro, ou levantar mais tarde, esticando a manhã até acabar aquele capítulo ou mesmo se isolar no recreio da escola para tentar ler, sossegadamente, o livro ou a revista em quadrinhos favorita.

Mesmo em tempos de alta tecnologia, a tribo que tem sede das letras começa, desde a mais tenra idade, a se posicionar e a fazer escolhas atípicas para a maioria dos pequenos mortais – que preferem a ação e o movimento, o barulho e a companhia dos amigos em tempo integral. Quem gosta de ler, contudo, não é um ser bizarro ou estranho. Apenas tem outras fomes e necessidades (que podem ou não se somar àquelas dos colegas da mesma geração). Fome talvez do mistério escondido nas intrigas e relatos, dos modelos possíveis de futuro, explicações do passado, ou simplesmente de uma boa história que faça rir ou sonhar.

Se o livro pode ser visto como um direito da criança, até muito recentemente no Brasil, ele permaneceu um objeto de consumo caro, salvo exceções. Na conta pragmática do comer ou se instruir, muitos não têm dúvida e passam a régua nas necessidades do espírito em nome da sobrevivência do coletivo familiar. Dramática escolha esta!

Por isso, foi com imensa alegria que, mesmo à distância, tomei contato com a legislação brasileira (Lei Federal 12.244, de 24 de maio de 2010), que estabeleceu recentemente a criação de bibliotecas nas escolas públicas e privadas no país:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou uma lei que determina a instalação de bibliotecas em todas as instituições de ensino do país, incluindo públicas e privadas. De acordo com o texto, publicado no "Diário Oficial" da União nesta terça-feira (25), cada biblioteca deve ter, no mínimo, um título para cada aluno matriculado.

A organização, a manutenção e o funcionamento desses novos espaços devem ser definidos pelas instituições.

Ainda segundo a publicação oficial, as bibliotecas escolares devem contar com "coleção de livros, materiais videográficos e documentos registrados em qualquer suporte destinados a consulta, pesquisa, estudo ou leitura". O prazo máximo para a instalação dessas bibliotecas é de dez anos.

(Fonte: http://www.reporternews.com.br/noticia.php?cod=283615)

Sempre haverá os que enxergarão nessa medida algo arbitrário, imposto do alto, mas a difusão da cultura é uma responsabilidade pública. Mesmo se admiramos a experiência dos Pontos de Cultura, iniciativa nacional-popular desenvolvida pelo MinC, ainda sob os auspícios do ministro-cantor Gilberto Gil, entendemos que a cultura é algo que não se negocia única e exclusivamente pelas bordas. Deve ser uma política governamental, ou melhor, uma política pública, que ultrapasse os humores e preferências apenas de uma sigla partidária, donde a importância dessa lei que universaliza o acesso das crianças ao livro.

                               Fonte: Google  

Desse modo, crianças como a que eu fui nos anos 70 e a personagem de Clarice Lispector do conto « Felicidade Clandestina » [disponível para a leitura no final dessa matéria], ambas no Nordeste brasileiro, que precisavam contar com a boa vontade e generosidade da vizinhança e dos caprichos dos amigos para conseguir ler um livro que nos suscitava o interesse, vão poder desfrutar doravante do acesso democrático às bibliotecas escolares.


Cultura viva: o livro e a educação infantil na França

                        Escola Maternal em Paris - Foto: Mione Sales

Escrevo de um país que, apesar de todas as mistificações simbólicas, políticas e culturais acalentadas por brasileiros e estrangeiros do mundo todo, atravessa uma grande crise social e econômica, o que vem impondo sacrifícios paulatinamente à cultura. No entanto, uma França que foi construída sob os auspícios do modelo republicano e democrático ainda resiste e se encontra de pé. Hoje o incremento dessa ou daquela política tem contado muito com os administradores, diretores de escola e professores, que ainda acreditam num ideal igualitário. O investimento nas escolas e na qualidade do ensino tem ficado assim ao sabor das magras finanças da Educação Nacional e da dedicação deste ou daquele funcionário mais comprometido com o projeto da nação e patrimônio cultural franceses.

São investimentos interligados, pois requerem espaço físico, arquitetura, pessoal especializado, livros e, como tal, o incentivo à produção editorial, o que aquece um mercado historicamente em crise, não obstante a capacidade de leitura ainda acima da média dos franceses. Aproveito, assim, o ensejo para juntar as pontas dessa conversa sobre biblioteca com a da educação infantil e ensino da cultura. Os escritores franceses, vale dizer, são difundidos desde o maternal. Lê-se e trabalha-se La Fontaine com as crianças, cultivando precocemente a memorização (exercício que vai contribuir lá na frente para os que seguirem a carreira de atores). E como este, também os poetas que emprestaram sua pluma aos poemas para a infância, à maneira de Jacques Prévert et Robert Desnos. Respeita-se o limite da idade da criança, bem entendido, mas nunca com um sinal de menos. A criança é elevada em suas capacidades múltiplas, sendo estimulada a valorizar o teatro, a música, o cinema, as artes plásticas e a literatura, a partir dos três anos de idade.

Os professores produzem projetos e correm atrás de financiamento para realizar exposições ou pequenas viagens ou passeios com os alunos. Trata-se, portanto, de um sistema de mão dupla, em que o Estado dá e estabelece parâmetros, mas também os profissionais da educação propõem contrapartidas, ajudando a esculpir a qualidade, segundo uma determinada concepção de ensino.

                      Imagem de divulgação

Os pais também participam da vida escolar. Há associações de pais, inclusive. Fui durante três anos « parent délégué ». No caso específico dos livros, eventualmente, há pais que são ilustradores ou autores de livros para crianças e eles são convidados a socializar isso com os pequenos. A minha filha, que convive com livros desde sempre, ficou orgulhosa de ter conhecido na escola, por exemplo, uma ilustradora de obras de literatura infantil. A turma produziu, com o apoio dela e da professora, um interessante jornalzinho – lançado e exposto numa associação afim do bairro -, em que cada criança participou das ilustrações: comunicação e imagem juntas! Ou seja, o livro deixa de ser um objeto distante e inacessível e as crianças são estimuladas a desvendar os segredos do seu ofício.

Minha filha, que tem sete anos, acabou de concluir a alfabetização (CP/cours primaire). Estudou em sala de aula três livros de literatura para criança ao longo do ano. Além de irem avançando na leitura e escrita propriamente ditas, as crianças são convidadas desde cedo a interpretarem a compreensão do texto e a escreverem seus próprios livros em equipe. Reescrevem um livro que trabalharam segundo a sua própria imaginação. Além disso, são estimulados a realizarem a cada página do livro uma ilustração. Dão, assim, a sua versão pictórica pessoal para cada trecho da história. Talentos vão se revelando e sendo incentivados desde cedo, e a cultura vai sendo apropriada como algo fundamental.

                               Fonte: Mione Sales       

O mais bonito nessa história toda é que isso não se passa numa escola apenas para os filhos da elite, mas numa escola pública ainda de qualidade, mesmo que a sofrer os duros golpes do neoliberalismo. Os filhos de imigrantes, mais os das famílias em situação difícil (inclusive, famílias sem domicílio fixo, homeless ou sem-teto) e demais crianças francesas, todos frequentam a mesma escola. [Infelizmente, começa pouco a pouco haver uma migração de crianças das classes média e alta para escolas privadas, fruto do sucateamento do ensino público. Lá onde a qualidade baixa, inevitavelmente inicia-se um discreto e progressivo processo de « debandada » dos alunos e suas famílias, complexificando e piorando o processo de integração cultural dos estrangeiros e oriundos das antigas colônias francesas]. Há crianças negras, brancas (francesas e europeias, em geral), árabes e asi¬áticas, a compartilharem as mesmas descobertas da matemática, da leitura, das artes plásticas, da música, do esporte e do mundo.

Tanto na escola pública maternal quanto na na escola primária, há bibliotecas, pequenas, mas suficientemente abastecidas com livros, franceses e outros traduzidos dos mais diversos continentes e culturas. Os professores constroem uma agenda de frequência semanal à biblioteca, com o apoio de « animadores » (profissionais pagos pela Prefeitura, regularmente presentes no cotidiano da vida escolar), que partilham deveres e tarefas com os profissionais da Educação Nacional (professores pagos pelo governo federal). No último ano do maternal, às sexta-feiras cada criança levava para casa um livro que deveria devolver na segunda-feira. Essa é uma ocasião para que a família invista numa leitura em conjunto ou acompanhe a criança ao dormir. Algumas famílias, todavia, não são alfabetizadas em francês, o que impede a fruição coletiva, mas certamente esta é uma política de investimento simbólico no conteúdo e na forma do livro, como um bem comum.

As bibliotecas públicas municipais merecem um capítulo especial. Posteriormente, posso dividir com vocês, blogleitores, mais essa experiência cultural no velho continente.

Pelo direito das crianças brasileiras e do resto do mundo deixarem de ser « bookless » ou “sem-livros”! Todo apoio à universalização das bibliotecas nas instituições de ensino públicas e privadas do País.
____________________________

Mione Sales – doutora em Sociologia e professora adjunto da Faculdade de Serviço Social da Uerj. Contato: mioneecia@hotmail.com

::::::::::::::


Para ler

Felicidade clandestina

              Fontes: Google

Clarice Lispector


Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria. Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como "data natalícia" e "saudade". Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia. Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria. Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu nao vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam. No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez. Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranqüilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do "dia seguinte"com ela ia se repetir com meu coração batendo. E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra. Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Ás vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados. Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: "E você fica com o livro por quanto tempo quiser." Entendem? Valia mais do que me dar o livro: "pelo tempo que eu quisesse" é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer. Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo. Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada. Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante. ***

::::::::::::::::::::

Para navegar


http://bsf.org.br/2010/05/25/lei-n%C2%BA-12-244-dispoe-sobre-a-universalizacao-das-bibliotecas-nas-instituicoes-de-ensino-do-pais/

http://noticias.terra.com.br/educacao/noticias/0,,OI4465487-EI8266,00-Pais+tera+de+criar+bibliotecas+por+dia+para+cumprir+nova+lei.html

http://www.letramento.iel.unicamp.br/portal/?p=1360
http://www.revistabrasileiros.com.br/secoes/balaio-do-kotscho/noticias/1174/

http://www.todospelaeducacao.org.br/

Para ver

http://www.youtube.com/watch?v=W-bbWFTYZkM

[Entrevistas com administradores e profissionais da educação sobre a nova medida]

http://www.youtube.com/watch?v=F5v3lcnoofY&NR=1

(projeto Mar de Letras no Maranhão e outras experiências nas capitais brasileiras)

http://www.youtube.com/watch?v=cC7i98SXGpY&feature=related

[filme Nunca te vi sempre te amei (1987), com Anne Bancroft e Anthony Hopkins, para quem ama livros & cartas]

http://www.youtube.com/watch?v=0sEblPq5iU8

[Filme O nome da Rosa, uma história de mistério na biblioteca]

:::::::::::::::::::::

Para descobrir

http://www.youtube.com/watch?v=9ad7b6kqyok

(Entrevista com Clarice Lispector)

http://www.armelleboy.com/noiretblanc/index.php?gLangue=fr

(ilustradora francesa citada no texto)

terça-feira, 6 de julho de 2010

Editoria Caleidoscópio Baiano

O MAJOR E OS ANALFABETOS


Cláudia Correia*


O falecimento do Major Cosme de Farias completou em março 36 anos. Nascido no subúrbio de São Tomé de Paripe, em Salvador, em 1875, foi um personagem marcante na cena política baiana atuando como advogado provisionado ( rábula), jornalista, vereador e deputado estadual. A sua biografia está brilhantemente registrada no livro “Cosme de Farias”, lançado em 2007 pela Editora da Assembléia Legislativa, a partir da criteriosa pesquisa da jornalista e Mestre em História Social pela UFBa, Mônica Celestino.

Lembro que fui, quando criança, a um desfile do cortejo do 2 de julho, acompanhada da saudosa “Tia Zilah”, Zilah Moreira, jornalista falecida recentemente, para cumprimentar aquela figura frágil e carismática, adorada pelo povo pobre de Salvador, que se comprimia nas ruas do velho centro para chegar perto dele, sempre impecável no seu terno e chapéu. Dois de julho é feriado na Bahia, data histórica que marca as lutas pela Independência do país do domínio português que se estenderam até Cachoeira, no recôncavo baiano.

Hoje fui andar na praça do Campo Grande com meu filho, onde após o cortejo pelas ruas do centro histórico de Salvador, ficam expostas as imagens do caboclo e da cabocla, símbolos dos heróis do 2 de julho. É interessante perceber que eles são reverenciados tanto pela simbologia com os ideais nacionalistas como pela devoção. Muitos visitantes levam presentes, flores, perfumes, pedidos em bilhetes e rezam ao pé das imagens em tamanho natural, fixadas em uma espécie de andor ornamentado.

Voltando ao nosso personagem: com apenas o curso primário, Cosme de Farias, patenteado Major pela Guarda Nacional em 1909, dedicou-se a diversas ações sociais desde 1892 e fundou em 1915 a Liga Baiana contra o Analfabetismo(LBA). O Major também teve ativa participação no Liceu de Artes e Ofícios, que voltava-se para a capacitação profissional de escravos livres e seus descendentes. A LBA congregou cerca de 200 escolas públicas de ensino primário e implementou medidas que alfabetizaram mais de 10 mil pessoas editando até 1972, dois milhões de cartilhas de ABC. Considerando os parcos recursos da época, tais resultados certamente matam de inveja os gestores públicos atuais, empenhados na execução de programas nas três esferas governamentais, como o “Brasil Alfabetizado”, “TOPA- Todos pela Alfabetização” e “ Salvador Cidade das Letras”. Num país onde a Educação foi esquecida, esse é um desafio grandioso!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Editoria Caleidoscóipio Baiano

Do Meb à Web: a rádio na educação



Claudia Correia*



Este título é o do livro que será lançado na Escola de Teatro da UFBa, em Salvador, no próximo dia 1º de junho, organizado por Sandra Tosta (PUC-MG) e Nelson Pretto(UFBa).

Fiquei encantada com a iniciativa. Trata-se de um panorama do uso do rádio na educação em diversos países, feito por pesquisadores da Bahia, São Paulo e Rio, apoiados pelo Programa de Bolsas de Iniciação Científica (Fapesb e CNPq). O grupo congregou pesquisas de estudantes e professores de graduação, mestrado e doutorado que pensam o rádio de uma maneira mais ampla, valorizando o seu histórico papel na formação cultural brasileira.

Como fruto desses projetos na Bahia, contamos hoje com a Rádio Faced Web e a Rádio Ciberparque Anísio Teixeira, mantidos pela Faculdade de Educação da UFBa, além da Rádio Teatro Web, voltada para a radiodramaturgia, produzida pelo talentoso ator baiano Gideon Rosa.

Nelson Pretto lembra que a idéia do livro surgiu exatamente para resgatar a importante função social do rádio e valorizar o seu papel no mundo da cibercultura. É ele que nos faz viajar nas ondas deste veículo tão próximo de nosso cotidiano:

“O rádio está presente na vida dos brasileiros de forma intensa. São mais de 90% dos domicílios com rádio. Estes aparelhinhos encantam a todos, inclusive ao dramaturgo alemão Bertold Brecht que, na década de 20, já acreditava que se em cada residência existisse um aparelho de rádio capaz de enviar e receber mensagens, estariam dadas as condições para se instaurar uma esfera pública cidadã, sustentada pela infraestrutura técnica.”

O potencial do rádio é de fato enorme. Com a internet muitas rádios passaram a transmitir pela rede. Alguns grupos formaram suas webrádios, ampliando muito as possibilidades de uso particularmente para a educação e a cultura.

Sobre o jogo de palavras do título do livro, Preto explica:

“Na década de 60, antes do golpe militar,diversas organizações e governos atuavam para combater o analfabetismo que até hoje nos deixa perplexos pelos seus números assustadores. Em Pernambuco, governo por Miguel Arraes(1960-1964) começou um intenso movimento de educação que, nas palavras de José Marques de Melo, se constituiu numa revolução popular, usando a mídia como arma, tendo por alvo a escola e valendo-se da cultura popular como projétil. Tal experiência transcorreu de forma paralela e sintonizada com o Movimento de Educação de Base(MEB), baseado na obra de Paulo Freire.

domingo, 23 de maio de 2010

Editoria Web-Tecno

Trópico – ideias de Norte e Sul


Uma de nossas seguidoras e interlocutoras, Jane Santos, enviou para nós do blog Mídia & Questão Social uma matéria « O controle da insegurança » da professora Paula Sibília (UFF), que vem a calhar com as nossas reflexões e preocupações acerca da cultura, educação e também, como bem mostram alguns artigos de Ana Lucia Vaz (EDITORIA JORNALISMO NA CORRENTEZA).

Além da matéria, tomamos contato com o site da revista on line Trópico – Ideias de Norte a Sul [www.uol.com.br/tropico], ligado ao UOL, que traz artigos variados e interessantes em particular sobre cultura, educação e arte, mas também sobre política, livros e debates e notícias sobre o audio-visual.

Estimulamos a visita ao site da revista e compartilhamos, desde já, com os nossos blog-leitores o texto que nos foi enviado.

Saudações coletivas,

Mione Sales & Nelma Espíndola*

Pelo Blog Mídia & Questão Social
:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
O controle da insegurança
Por Paula Sibilia


Implantação de câmeras de vigilância em colégios indica a obsolescência atual do sistema escola

Qual é o sentido do sistema escolar na sociedade contemporânea? Na tentativa de encontrar respostas para tamanha questão, ou para melhor formulá-la, proponho um breve passeio por certas novidades que estão afetando o âmbito educacional e que constituem sintomas de uma metamorfose bem contemporânea.

"O desinteresse é o principal motivo do abandono das aulas por parte dos jovens de 15 a 17 anos", concluiu um estudo sobre a evasão escolar realizado pela Fundação Getulio Vargas. "O resultado mostra que manter o jovem na escola não é apenas uma questão econômica", explicou o coordenador do trabalho. "É preciso criar e atender a demanda por educação", acrescentou, recorrendo ao léxico empresarial que impregna tudo nos dias de hoje: "É preciso garantir a atratividade da escola".

Depoimentos como esses são divulgados quase diariamente na imprensa, temperados com cifras impressionantes sobre o grau de analfabetismo e o "fracasso escolar" de crianças e jovens.

Além de tratar a educação como um produto pouco atraente destinado a um consumidor disperso, seduzido pela variada oferta do mercado do entretenimento, que concorre com sucesso para conquistar sua atenção, os dados sugerem que todo o instrumental escolar se encontra em decadência. Não só porque perdeu eficácia no cumprimento de suas metas mais elementares, mas também porque freqüentar a escola deixou de ter sentido para sua clientela.
O regime escolar foi inventado numa confluência de tempo e espaço bem concreta, com o objetivo de responder a certas demandas específicas de um determinado projeto histórico: o capitalismo industrial que sustentou a era moderna. Uma sociedade que se pensou a si mesma como igualitária, fraterna e democrática; e, por conseguinte, assumiu a responsabilidade de educar todos os seus cidadãos para que estivessem à altura de tão magno projeto.