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terça-feira, 27 de agosto de 2013

Editoria Jornalismo na Correnteza

O RUÍDO QUE VIROU GRITO



                                                        Foto: Google


Ana Lucia Vaz*

Cada geração tem seus desafios, suas possibilidades e limites. Há mais de dez anos trabalhando como professora universitária, me convenci de que a minha foi uma geração privilegiada. Entrar na universidade nos anos 1980, quando o Brasil se democratizava, nos permitiu ir às ruas mil vezes, sonhar juntos, construir utopias maravilhosas.

Não sofremos a repressão violenta dos que nos antecederam, mas herdamos deles o poder de sonhar um mundo melhor. Descobrimos a sociedade quando ela se transformava e, arrastados pela onda de mudanças, não foi difícil sonhar tantas outras que poderiam vir. Fizemos muitas festas nas ruas, “sem medo de ser feliz”.

Mas os anos 1990 chegaram com sabor de contra correnteza. Quando comecei a dar aula na universidade, no início dos anos 2000, encontrei uma juventude muito diferente da minha. Me assustei, algumas vezes, com o pragmatismo de meus alunos. A universidade passando por profundas mudanças, alguns poucos mobilizando uma reação, recebo a pergunta da turma, desconfiada de que não “valia a pena” participar: professora, você acha que adianta alguma coisa essa manifestação?” Perguntas que eu só sabia responder ensinando para eles sobre o meu ponto de vista. “ Se vai dar resultado? Não sei. A gente nunca sabe antes de entrar na briga. Mas tenho dificuldade de entender sua pergunta. Porque pra mim, pra minha experiência política, a pergunta principal não era sobre o resultado. Mas sobre a causa. Se é justa vale a pena!”

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Editoria Jornalismo na Correnteza

A arte pela vida contra o deserto

A arte de rua pousa para foto diante do monumento à grande arte


Ana Lúcia Vaz*


Artistas de circo, teatro de rua, foliões e outros "loucos", ou melhor, artistas, fizeram um lindo ato, segunda-feira, dia 23 de agosto, na Cinelândia, centro do Rio. Festa política. “Para que todos saibam”, diziam eles, que as cidades estão sendo privatizadas, no Brasil.

Praças gradeadas, atividades publicas cercadas, com distribuição de senha, e exigência de autorização da Secretaria de Ordem Pública para qualquer atividade de rua. Tudo isso, segundo Amir Haddad, do grupo Tá na Rua, é parte de um projeto de cidade, que avança em todo país. “A população não sabe. Porque é feito de cima pra baixo.”

Amir Haddad coordena o ato-espetáculo popular

Neste projeto, Moradores de rua, camelôs, artistas, foliões, todos foram colocados no mesmo saco e estão sendo expulsos para “limpeza das ruas”. "Querem transformar isso em Dinamarca!", protestavam os artistas.

O ato foi convocado por centenas de grupos artísticos, em todo o Brasil. Em todas as falas, a denúncia a um plano de cidade “facistóide”, nas palavras de Haddad, uma espécie de rei momo do ato no Rio. A pergunta que se repetia era: “Que Brasil a gente quer mostrar na Olimpíada?”. Para os atores-manifestantes, um Brasil brasileiro, popular, plural e em transformação. Mas, ao que parece, o projeto das autoridades é outro: ordem, controle e praças vazias.

 A festa é do povo

Mas, contra a cidade deserta que o Estado promove, Haddad avisa: "Estamos vivos!" Falta de política para a cultura popular, segundo Haddad. "Só temos política de controle!"

 A festa continua

No final do ato, Herculano Dias, também do grupo Tá na Rua, desabafou: “A gente se sente como o cocô da vaca. Mas eles esquecem que do cocô da vaca nascem cogumelos maravilhosos!”

                              Poetas do mundo pela continuidade da vida


*Ana Lucia Vaz, jornalista, mestre em Jornalismo (USP), membro da Rede Nacional de Jornalistas Populares (http://www.renajorp.net) , professora de jornalismo e terapeuta craniossacral.


** fotos Ana Lucia Vaz

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Editoria Jornalismo na Correnteza

Sobre favelas, jornalismo e revolução


Ana Lucia Vaz*


O primeiro impacto

Na primeira matéria que fiz no Borel, após as chuvas do início de Abril, cheguei na favela através de um contato da rede Nacional de Jornalistas Populares, que me apresentou a uma diretora da Associação de Moradores. Pedi para entrevistar algumas famílias. Ela me levou à biblioteca do Ciep, me apresentou, tirou todo mundo de uma única mesinha com três cadeiras que havia no local, me sentou numa e colocou uma cadeira no lado oposto, onde, rapidamente, se formou uma espécie de fila para me dar entrevistas. Me senti um tipo de funcionário do governo cadastrando eles. Assim que pude, saí da cadeira, mudei os lugares e rapidamente formou-se uma rodinha descontraída, gente sentada nas cadeiras ou na mesa, crianças passando pelas minhas costas. E fui entrando naquele mundo desconhecido.

Depois me levaram para ver as casas e, de novo, quem a gente encontrava pelo caminho ia se chegando, querendo participar da cobertura, contando suas histórias, aproveitando para fotografar também com seus celulares.


Pelas bordas


Quarta-feira passada, dia 21 de abril, estive no Morro dos Prazeres para acompanhar a reunião sobre remoções, chamada pela Associação de Moradores de Santa Teresa[1]. Cerca de 400 pessoas, entre moradores das favelas próximas, representantes de outras favelas, até de Niterói, representantes de entidades etc participaram. Participaram ou assistiram.

Circular pela arquibancada da Quadra dos Prazeres, de onde boa parte dos moradores daquela favela assistia à reunião, era ligeiramente desconcertante. A maioria ainda estava tentando entender o que se passava. Mas a conversa, como sempre, era muito fácil.

“Eu vim aqui porque disseram que vão remover todo mundo. Eu não quero sair daqui”, explicou dona Eleir, que não se cadastrou para pegar cesta básica, porque este cadastro dava “plenos poderes à Prefeitura para derrubar sua casa”, me explicou. Duvidei. Outra moradora, que não quis se identificar, fez o cadastro mas não sabia dizer o que estava escrito no papel. “Eles entregavam a folha pra gente e diziam: ‘assina aí e pronto’! Tinha que assinar para receber os donativos.” E a senhora ainda tem o papel? “Mais ou menos! Num é que eu lavei a bermuda com o papel dentro!?”, sorriu.


Todos disseram que a quantidade de doações que chegou aos Prazeres foi impressionante. “Tem gente dizendo que vai ficar um ano sem comprar roupa!”; “estão tentando comprar a gente!”, alfinetavam alguns moradores.

Apesar de não saberem explicar direito o que se passava, minhas “entrevistadas” contaram suas vidas, falaram da família, deram opiniões, fizeram fofocas. Tudo antes mesmo de me apresentar.

sexta-feira, 5 de março de 2010

ESPECIAL FÓRUM SOCIAL MUNDIAL - 10 ANOS

Fórum Social Mundial, 10 anos questionando o capitalismo
                                                       
                                                 
Foto: Walter Fagundes Ag. AL

Nelma Espíndola


Mesmo que não tenhamos feito à época, uma exposição acerca do Fórum Social Mundial (FSM) – 10 Anos – Grande Porto Alegre, nós não deixamos de acompanhar o transcurso do evento.

O Fórum aconteceu no Rio Grande do Sul, em sete de suas cidades: Porto Alegre, Canoas, Gravataí, Sapucaia do Sul, São Leopoldo, Novo Hamburgo e Sapiranga, com a reunião de 35 mil pessoas, em 915 atividades, realizadas entre os dias 25 a 29 de janeiro de 2010.

Aproveitamos para repercutir alguns destaques que foram feitos no último dia do evento, com base em matéria feita por Claudia Paulitsch – AL/RS.

Conforme um dos coordenadores do FSM e representante da CUT, Celso Woyciechwoski, houve a participação de 39 países e, dos presentes, 60% eram mulheres. Outro dado expressivo de participação foi a dos jovens, num percentual de 27%.

Esses dados foram apresentados por Woycienchwoski na mesa para avaliação, no Teatro Dante Barone na Assembléia Legislativa em 29 de janeiro de 2010. Segundo ele a participação da sociedade no FSM, foi expressiva, o que retratou ao mundo a existência de construções coletivas de todas as ordens para a busca de um mundo melhor.

Na sua avaliação, o FSM -10 Anos foi positivo. Ele levou em conta não só o número de participantes e de atividades, mas as temáticas por lá discutidas tais como: educação, meio ambiente, cultura, economia solidária, democracia, direitos humanos, dentre outras.

Ainda na avaliação de Woycienchwoski, essa expressiva participação de jovens demonstrou o engajamento deles nas transformações sociais e econômicas de que o mundo precisa. Através do evento, ficou demonstrada, mais uma vez, a necessidade de construção de políticas que garantam igualdades entre homens e mulheres.

domingo, 13 de setembro de 2009

Fotógrafos são atingidos por bomba de gás lacrimogêneo durante protesto no RJ

Por Thiago Rosa/Redação Portal IMPRENSA

O Sindicato dos Jornalistas do município do Rio de Janeiro (RJ) criticou a atuação da Polícia Militar (PM) durante mobilização de professores do estado em frente à sede da Assembléia Legislativa (Alerj), na última terça-feira (8). Na ação, os repórteres fotográficos, Felipe O'Neill e Marcelo Franco , dos jornais cariocas O Dia e Extra respectivamente, foram atingidos por bomba de gás lacrimogêneo arremessada pelo Batalhão de Choque da PM.
Os professores da rede estadual de ensino entraram em greve na última terça. No mesmo dia, manifestantes foram em direção à Alerj para pedir aprovação de emendas a um Projeto de Lei assinado pelo governador Sérgio Cabral. Segundo o Sindicato dos Jornalistas, houve tentativa de cercear o trabalho da imprensa durante o protesto.

Presentes para cobrir a manifestação, os repórteres fotográficos foram atingidos por estilhaços de bomba durante a ação militar.
"Eu só senti o estilhaço de bomba no peito. Não teve como correr. Foi a um metro, um metro e meio de mim (...) Começou a doer muito, senti falta de ar", disse Franco ao Portal IMPRENSA.
O fotógrafo do Extra teve queimadura de primeiro grau, por conta dos estilhaços, e diz que o incidente "faz parte da profissão". Franco ressaltou ainda que, apesar do susto, não moverá ação contra o estado pelo ferimento.
"No tumulto, não dá para distinguir quem é manifestante ou não. Eles (policiais) perdem o controle. Utilizam a bomba para fazer as pessoas dispersarem", disse. "Daí eu processo o estado, eles dizem que a culpa é dos professores. Fica nesse jogo de empurra-empurra. Vou me aborrecer à toa".
Ao todo, 11 pessoas ficaram feridas durante a manifestação. De acordo com informações do jornal O Globo, foram arremessadas três bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes. Oito pessoas foram atendidas pelo setor de emergência da Assembleia e, mais tarde, seis delas encaminhadas ao Hospital Souza Aguiar. Um diretor do Sindicato Estadual dos Professores de Educação (Sepe) foi detido por desacato à autoridade.
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*Socialização de Leandro Rocha
Assistente Social.