segunda-feira, 29 de março de 2010

Editoria Caleidoscópio Baiano

Câmara de Salvador homenageia o Jornal Aurora
Publicação é destacada como a resistência das ruas

 *Claudia Correia


  Foto: Arnaldo Jesus

A Câmara Municipal de Salvador, na última sexta-feira (26), rendeu homenagem ao jornal Aurora da Rua por seus três anos de existência. Ele abre possibilidades para a população de rua de Salvador resgatar seus direitos. Assim a vereadora Marta Rodrigues (PT) abriu a sessão comemorativa ao aniversário do único jornal de rua do nordeste brasileiro.

Ela destacou a importante função social do projeto apoiado pela Ação Social Arquidiocesana (Asa), que já formou 51 pessoas em situação de rua para produzirem o jornal. “A cidade precisou no passado de fortes para se proteger e o Aurora também constrói com força uma história nova para os que são invisíveis e excluídos das políticas públicas”, comparou Marta Rodrigues.


Mais uma história que começa em Canudos

A idéia do jornal surgiu em Canudos-Bahia em 2006. Segundo Irmão Henrique, ele nasceu como uma utopia. O objetivo era ajudar a recuperar a dignidade do povo de rua. “O que vai permanecer desta experiência toda são mulheres e homens que caminham de cabeça erguida, encontraram uma nova aurora em suas vidas”, destacou com emoção.

Desde 2007 o jornal realiza um trabalho sócio-educativo com os moradores de rua, na comunidade da Trindade, no Comércio, feito pelo projeto “Levanta-te e andas” da Igreja Católica. Muitos deles conseguiram superar doenças e adquirir uma renda mensal para se inserirem na vida social.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Editoria Estranha Semelhança com a Utopia

3000 mulheres caminham 116 quilômetros por suas reivindicações


*Jefferson Ruiz

No último artigo da editoria “Estranha semelhança com a utopia” dialogamos sobre como a mídia tenta transformar lutas e herois populares em datas e objetos de consumo e comércio. Na contramão desta perspectiva, de 08 a 18 de março milhares de mulheres de todo o Brasil marcharam por 116 quilômetros, na terceira ação internacional da Marcha Mundial das Mulheres. 

Nesta quinzena, no lugar de um artigo, teremos contato com depoimentos, informações e reivindicações desta Marcha. Estou convencido de que eles falam por si só.

Registro e agradeço a enorme contribuição e participação, para este texto, das companheiras Maria Isabel da Cruz, de Paulínia (SP), e Fátima Barbosa, de Campinas (SP). A principal fonte de pesquisa (feita por Bel e Fátima) para as informações abaixo foi o blog Trezentos. As fotos são de participantes da Marcha e do fotógrafo João Zinclair.

Com esta singela contribuição esperamos fortalecer a luta por um mundo em que a igualdade entre todos os humanos, como seres sociais que somos, seja, efetivamente, realidade!!!


Relato geral da atividade


Não existe libertação individual, toda libertação é coletiva”.
(Iolanda, de São Paulo)


A Marcha Mundial das Mulheres é um movimento feminista internacional que nasceu no ano 2000. A inspiração para sua criação foi a manifestação realizada em 1995, no Canadá, quando 850 mulheres marcharam 200 quilômetros, pedindo, simbolicamente, “Pão e Rosas”.

terça-feira, 23 de março de 2010

Editoria Web@Tecno

CONTROVÉRSIA e REBELIÓN, vale a pena lê-los.



*Nelma Espíndola


Faz um mês que escrevi na Web@Tecno. Isto, porém, não me faz ficar de modo algum longe do blog M&QS, e dessa editoria, muito menos, por incrível que pareça. Esta minha ausência dá-se apenas na forma escrita.

Tenho lido muitas sugestões dos meus blog-amigos. Vou dividi-las com vocês todos, podem ter certeza. A busca de manter a editoria numa linha atrativa e com ótimos conteúdos de informações, como já havia escrito antes, é um compromisso coletivo dos que integram o blog Mídia e Questão Social. Há trocas constantes, quase infinitas entre nós colaboradores do blog, amigos e por que não dizer também com os nossos blog-leitores, o que é de suma importância para todos nós.

Por isso, vale ressaltar a responsabilidade na apresentação dos conteúdos, pois a abordagem de temas políticos e sociais requer uma atenção dobrada para toda uma série de contradições. Tudo isso leva a que, na condição de bloggers ou leitores, reflitamos sobre a conjuntura, e consequentemente sobre a nossa própria vida e perspectivas melhores para ela.

Bem, sem mais delongas, vamos agora à partilha. Quero dividir com todos vocês uma das “apetitosas” sugestões para quem tem interesse de fazer ótimas leituras pelas galáxias da internet. Somos um planetinha recente e em evolução, porém, como fazemos parte desse universo, temos aproveitado o espaço da Web@Tecno para falar de outros planetas que a compõem.

Dessa vez, foi Mione Sales, que todos vocês já conhecem por seus excelentes textos na editoria Volta do Mundo, Mundo dá Volta, me sugeriu um roteiro de navegação. A primeira parada interestelar permitiu-me ler e conhecer uma entrevista do jornalista espanhol Pascual Serrano, fundador da página Rebelión (http://www.rebelion.org/). Essa entrevista aborda os fatos “silenciados” pela imprensa comercial, que, segundo ele propõe, devem ser resgatados e trazidos à tona pela esquerda por meio de uma “revolução midiática”.

Mas antes de passar alguns detalhes a mais sobre a reflexão de Serrano, que transcreverei abaixo, penso ser interessante falar sobre a segunda parada interplanetária: o site CONTROVÉRSIA, que surgiu como blog.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Editoria Jornalismo na Correnteza

*Favela Dona Marta: “Vendo assim de fora, está bom”*

Quem afirma é uma mãe, subindo o morro com seus filhos recém-saídos da escola.  Embora more na favela, ela acrescenta: “a gente não sabe como está por aí”... e faz um gesto amplo com a mão, tentando abranger toda a favela.


*Ana Lúcia Vaz


Quinta-feira, dia 18, moradores da favela Santa Marta, em Botafogo, com o apoio de várias ONGs de direitos humanos, lançaram a “Cartilha popular do Santa Marta: Abordagem Policial”. Um caderninho em tamanho de bolso, com algumas instruções como: “Os (As) policiais não podem gritar com você ou te xingar de ladrão(a), vagabundo(a), piranha etc. Isso é crime de injúria, difamação, calúnia e mesmo abuso de autoridade. Se te chamar de ‘PRETO safado’ estará cometendo crime de injúria racial. Ninguém pode te tratar como suspeito por causa da cor da sua pele ou da sua origem.”

       Ana Claudia, uma das organizadoras da cartilha.

Visto assim de fora, parece óbvio. Mas para os moradores do Santa Marta, a primeira favela “pacificada” pelo governo do Estado do Rio de Janeiro, são direitos que ainda estão por ser conquistados. O direito de serem tratados como cidadãos e não como ameaça pública.

É confortável fazer reportagem numa favela “pacificada”. Durante o dia, a polícia nos recebe simpática, na entrada. Subi tranqüila, sabendo que não ia ser surpreendida por um tiroteio, não ia cruzar com um guarda do tráfico, nem com o caveirão. 

“As pessoas têm um sentimento de agradecimento. Não tem mais tiroteio, podem deixar os filhos na rua, isso é bom”, explica Cleiton Pereira. Mas, visto de dentro, o medo se apresenta. 

Cleiton explica que a rotina dos jovens que saem de noite é combinar de subirem junto, com medo da abordagem policial. “De madrugada a abordagem é muito pior”. “Se você põe uma bermuda, um boné, pra frente ou pra trás, eles (os policiais) já te param mandando por a mão na parede.” A quadra da escola de samba, está interditada. As festas, em qualquer lugar, vigiadas. “Eu às vezes trabalho com som, em festa”, explica Cleiton. “A polícia fica lá, do lado de fora, controlando. Daí, quando toca um funk, mandam tirar: ‘eu não gosto de funk’!”, é o argumento do policial, segundo Cleiton, que explica,logo em seguida, que ele não usa funk proibidão, nem apelativo... “Só toco funk *light*”.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Editoria Volta do Mundo, Mundo dá Volta

Assistentes Sociais de todo o mundo, uni-vos!


*Mione Sales


Para quem foi ao Seminário do Congresso da Virada em novembro em São Paulo (2009) deve ter escutado muito falar nesta sigla, ANAS, que nomeava a paradigmática associação dos assistentes sociais brasileiros, a qual fez história no final dos anos 70 e ao longo da década de 80 no Brasil. Nesse caso, trata-se da ANAS francesa, cujo link (http://anas.travail-social.com/) socializamos aqui com os colegas brasileiros em homenagem ao Dia Mundial do Serviço Social, comemorado no dia 16 de março. Esta não poderia, claro, deixar de ser uma “profissão pisciana”!, para quem entende do assunto.

Desde final dos anos 90, o Serviço Social brasileiro, através do Conjunto CFESS/CRESS, reatou laços com a Federação Internacional do Trabalho Social / FITS (IFSW), com vistas a participar dos debates em cenário mundial sobre os desafios da profissão. O quadro posterior de aceleradas movimentações sociais, políticas e econômicas decorrentes da mundialização provou que foi uma decisão correta, que teve como um dos seus frutos a realização pela primeira vez no Brasil de um Congresso Mundial de Serviço Social, em Salvador/Bahia, 2008. Como dizem os versos de Milton Nascimento, “se muito vale o já feito, mais vale o que será ! »

Penso que o mote da comemoração da profissão em 2010, a cabo da FITS, de « tornar reais os direitos humanos » é um bom elo de debates e disputas entre concepções distintas de profissão e mesmo sobre Direitos Humanos no Brasil, na América Latina e no mundo. Fica aqui o convite, então, para que visitem a página da Associação Francesa. Conheçam também a página da FITS (IFSW) e circulem pelas páginas dos CRESS e CFESS, para que tenham noção da multiplicidade de temas sociais com os quais estamos envolvidos e dos desafios que comportam.

Este é um convite extendido inclusive àqueles nossos leitores que não são profissionais de Serviço Social, mas têm curiosidade sobre o que faz essa rica e ampla categoria nacional e internacional.

Reproduzimos abaixo matéria divulgada no site do CFESS sobre esse dia, para uma compreensão mais completa do seu significado.