terça-feira, 1 de dezembro de 2009

DIA INTERNACIONAL DE COMBATE À AIDS



Como muitos sabem o dia 1º de dezembro foi internacionalmente instituído como o "Dia de luta contra a AIDS". Aproveitando a ocasião, resolvemos fazer um pequeno balanço do que tem sido noticiado sobre a doença, em termos de avanços e retrocessos.
Como exemplos claros da contradição ainda existente com relação à AIDS, observamos as ações realizadas no mundo todo. Desde a alteração na iluminação do Cristo Redentor como forma de homenagem e alerta sobre a questão, até as manifestações realizadas na Ásia contra o "sexo livre" e a manifestação absurda da intenção do governo Chinês em vetar a entrada de soropositivos em seu solo a partir de maio do ano que vem.
Mesmo com as campanhas direcionadas para a prevenção e demais medidas tomadas em todo o mundo, a AIDS ainda apresenta um alto índice de contaminação. Nos países da América Latina a incidência da doença e suas taxas de mortalidade são agravadas pelas desigualdades sociais e econômicas, bem como pela a dificuldade no acesso aos programas estatais.
Sobre a realidade brasileira, nesta sexta-feira (26/11) foi divulgado um boletim epidemiológico sobre AIDS/DST. Neste boletim é sinalizado o aumento no índice de mulheres contaminadas entre 13 e 19 anos (0,4 por 100 mil habitantes), bem como as mulheres acima de 50 anos (9,9 por 100 mil habitantes).
A pesquisa ainda aponta que em 2007 96,9% dos casos de infecção foram transmitidos através sexo inseguro.
Notícias boas também podem ser avistadas no horizonte: há a iniciativa do ministério da saúde em adotar uma série de medidas que contribuirá na qualidade de vida de soropositivos e companheiros.
Uma delas é a antecipação do início do tratamento com antirretrovirais para pacientes que possuem relacionamentos com pessoas não-infectadas (são os casais chamados de sociodiscordantes).
Outra notícia é o trabalho no sentido de garantir o direito à paternidade e maternidade às pessoas com o vírus. Está sendo conduzido um programa conjunto das nações unidas que visa utilizar técnicas de reprodução assistida para que casais sociodiscordantes possam ter filhos sem riscos de transmissão do vírus ao bebê.
Os dados apresentados nos fazem refletir sobre a necessidade de continuar a luta contra a AIDS e demais doenças sexualmente transmissíveis, mas, para isso não basta lembrarmos destas doenças apenas durante o carnaval e/ou o dia primeiro de dezembro. Essa luta é uma constante e deve ser travada no dia-a-dia com informação, bom senso e sem preconceito.










AIDS mata, mas o preconceito mata muito mais!


Abraços,

Equipe do Blog Mídia e Questão Social.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Editoria Caleidoscópio

X Congresso de Jornalistas da Bahia


Cláudia Correia

Participei de 26 a 28 de novembro, aqui em Salvador, do X Congresso de Jornalistas da Bahia, com o tema : “ Do analógico ao digital: novos desafios após a decisão do STF sobre o diploma”.
A programação foi da maior qualidade, com oficinas, painéis e lançamento de livros, mas a participação da categoria uma lástima: contei 34 pessoas, incluindo a estudantada sempre curiosa. Metade da plenária veio de municípios do interior como Juazeiro, Barreiras e Teixeira de Freitas onde as precárias condições impõem um ritmo de trabalho desumano para os colegas. Temos hoje no estado, 23 cursos de graduação em Jornalismo, baixos salários, jornadas aviltantes e uma competição perversa.
As oficinas do Congresso abordaram: newsletters, fotojornalismo e Jornalismo e Sustentabilidade, a minha escolhida. Estou muito interessada no tema da responsabilidade sócio-ambiental e de experiências bem sucedidas e sérias nesta área que mereçam cobertura.
Os painéis trataram sobre: A luta pela retomada do diploma, a organização dos jornalistas baianos, ensino do jornalismo e mercado de trabalho e impactos das novas tecnologias no trabalho profissional.
A palestra “Imprensa Negra” rendeu um excelente debate e reuniu jornalistas militantes da luta pela igualdade racial, como Dalmo Oliveira, da Paraíba e Cleidiana Ramos, Mestranda em Estudos Étnicos e Editora do Caderno Especial sobre negritude do jornal baiano A TARDE.

O que mais me chamou atenção foi a criação das COJIRA’s Comissões de Jornalistas pela Igualdade Racial, já em atividade em Alagoas, Bahia e outros estados. Uma estratégia de articulação política muito interessante já que a grande mídia reforça o preconceito contra os negros com coberturas que estigmatizam e violam direitos humanos. Vou me inteirar mais sobre a experiência. Aqui existe um coletivo de jornalistas que mantém o “Correio Nagô”, www.correionago.com.br , do qual sou colaboradora. Eles formam a “Mídia Étnica” e possuem vários projetos interessantes em rádio, webjornalismo e outras praias.
Estranhei a ausência de um debate mais profundo no Congresso sobre as propostas do Sindicato dos Jornalistas da Bahia- Sinjorba e da Federação Nacional dos Jornalistas- FENAJ para a Conferência Nacional de Comunicação , de 14 a 17 de dezembro, em Brasília. Precisamos ficar atentos para fazer alianças e defender na Confecom propostas que assegurem a democratização da comunicação e o lobby contrário dos empresários do ramo é poderoso. Por aqui, apesar do esforço do Sinjorba, que foi eleito delegado para a Confecom, a categoria não aderiu ao debate como deveria.
Acredito que toda esta polêmica em torno da desregulamentação da profissão de jornalista e a decisão absurda do Supremo Tribunal Federal de abolir o diploma é parte de um plano mais audacioso, envolve interesses políticos e econômicos que estão muito distantes da defesa da liberdade de expressão democrática. Não podemos ser ingênuos ou partir para o contra-ataque sem aliados. Defender o diploma para jornalistas é defender o direito à informação de qualidade, condição indispensável à plena cidadania e ao Estado democrático de direitos. Está tramitando no Senado uma PEC que tenta reverter a decisão do STF mas a briga só está começando....
Este congresso baiano me deixou ainda mais curiosa com os desdobramentos da Confecom porque a expectativa é grande no sentido de criarmos os conselhos de comunicação para exercerem o controle social sobre a política pública de comunicação. O da Bahia, segundo promessa do governador Jaques Wagner, sai em 90 dias. Mas, sabemos que esta decisão depende da aprovação da Assembléia Legislativa. Aqui ainda temos muitos políticos vinculados aos veículos de comunicação que há anos, exercem o monopólio, como o grupo da TV Bahia, de propriedade do ex-senador Antonio Carlos Magalhães, o famoso “Toninho Malvadeza”.
Vamos seguir brigando....




Claudia Correia, assistente social, jornalista, Profa. ESSUCSal, Mestra em Planejamento Urbano. ccorreia6@yahoo.com.br

domingo, 29 de novembro de 2009

Editoria Web@Tecno

Internet – O « direito ao esquecimento »


Com um sugestivo título « Lembre-se de me esquecer», foi publicado em 12 de novembro uma matéria no jornal francês Libération acerca de um projeto de lei que versa sobre o direito à proteção do anonimato dos internautas na França. Trata-se de um projeto polêmico, para uns impraticável e condenado ao insucesso. No entanto, o tema é objeto do estudo e de medidas por parte da Secretaria de Economia Digital.

Prós e contras

O que está em jogo e inquieta internautas e algumas autoridades é o problema dos dados pessoais, que ficam disponibilizados por tempo indeterminado na rede e são objetos de uso diverso, como por exemplo malas diretas para campanhas de marketing. Os jovens seriam, de certa maneira, o segmento mais exposto, pois lançam informações na Net corajosa e muitas vezes irrefletidamente. O projeto em discussão preveria, assim, o direito a cada cidadão de suprimir seus dados pessoais, voluntariamente publicados ou captados à sua revelia, os quais possam comprometer a sua vida pessoal, social ou profissional. O reivindicado « direito ao esquecimento digital » consistiria na possibilidade de apagamento de dados, em circulação na Internet, relativos desde um processo judiciário até fotos da pessoa em questão em estado de nudez publicadas por um «ex» vingativo. Um simples endereço ou telefone disponível na rede pode, por exemplo, ser bastante inconveniente para uma celebridade, mas uma chance para um empresário.

A flexibilidade certamente deve orientar a matéria, porque os limites do que incomoda ou preocupa as pessoas não sao universais, mas variam, inclusive, de acordo com a idade, alertam especialistas em direito e comércio. O critério do que é « privado » não é objeto da mesma compreensão e sentimento aos 15 e aos 60 anos, donde a dificuldade de estabelecer uma « legislação global ». Por isso mesmo, a secretária de estado responsável prefere falar em « carta de compromisso ». Até o momento, não há nenhuma legislação na França que assegure o « direito ao esquecimento ». Em 1978, havia sido aprovada uma lei que tangencia o tema, chamada « Informática e liberdades », mas seu teor era sobretudo técnico e nada explícito quanto à duração da conservação de informações e dados.

Uma outra dificuldade de gerir e controlar os abusos tem a ver com o fato de que muitas vezes a pessoa que se sente lesada pertence a um país, enquanto o provedor está registrado em outro, logo não está sujeito às mesmas regras e legislação. Vê-se, portanto, que começa a aflorar a necessidade de parâmetros, mais que éticos, legais em escala internacional para orientar as práticas no Web-mundo, todavia impoõe-se, da mesma maneira, estruturas supranacionais com poder de arbitragem. Hannah Arendt, em seu estudo sobre As Origens do Totalitarismo, já havia se dado conta do vácuo jurídico e moral que se fazia no âmbito do cumprimento da legislação internacional, quando a operacionalização depende dos Estados-nações. Ela pensava na ocasião, em particular, nos refugiados, apátridas e párias, que, obrigados a fugir do país de origem, nem sempre encontravam asilo num outro, por questões de relações diplomáticas, políticas e econômicas entre os países envolvidos. Trata-se dos « filhos de ninguém », bastardos de sua própria cidadania civil e política. Hoje existe para dar conta de casos de lesa-humanidade o Tribunal Penal Internacional. Talvez se devesse pensar em algo equivalente, mas em escala menor, sobretudo de natureza administrativa e jurídica, para julgar e coibir os casos de abusos dos direitos individuais « digitais ».

Uma das propostas concretas para o problema dos dados pessoais seria considerar o endereço IP como uma informação privada, porém, alegam outros especialistas, que se trata de uma máquina e não de uma pessoa física. Outra proposta – inviável na prática – seria a de que os sites solicitassem a autorização do cliente, quando do uso de informações estocadas, mais o esclarecimento a respeito da finalidade da sua coleta. Outras avançam na direção de um sistema de labelização da segurança, em que se garantisse, ao mesmo tempo, que o internauta permaneceria anônimo e que poderia estar seguro disso; num outro nível, haveria um número atribuído ao internauta, uma espécie de certificado digital que provasse se tratar de um adulto; e por fim, uma identidade numérica que correspondesse exatamente à identidade civil.

A questão do anonimato é também objeto de controvérsias, sobretudo em tempos de redes internacionais de pedofilia, no entant pode ser considerada uma retaguarda por parte daqueles que dele se utilizam como estratégia de resistência e combate contra ditaturas ou a limitações do direito de livre expressão.

Dever de memória

Caberia aos historiadores se manifestar a respeito, pois o trabalho deles pressupõe o direito à informação arquivada. Então, pode-se alegar em contrapartida do direito ao esquecimento o dever de memória. Há quem veja, por sua vez, nessa valorização da memória a mistificação do passado para fugir ao presente, desviando-se do futuro. De outro ângulo, o recurso permanente à memória conduziria a um « presente eterno », acabando com a consciência histórica. Por fim, há os que simplesmente recomendam, como maior e melhor defesa dos direitos individuais, um uso prudente da Internet.

Mione Sales é assistente social, professora (FSS/Uerj), doutora em Sociologia e graduada em Literatura Comparada. E-mail: mionesales@gmail.com 

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Editoria Equipe Blog Mídia e Questão Social

Pelo direito ao tempo da reflexão



Queremos brindar os nossos blog-leitores com um artigo de Olgária Matos sobre a universidade brasileira, originalmente publicado no jornal O Estado de São Paulo (15/11/2009). Os problemas por ela apontados não nos são exclusivos, pois em alguma medida reproduzem-se mundo afora no contexto da neoliberalismo. O que nos é próprio tem sido até então a falta de reação coletiva ao que vem se transformando a universidade pública desde há pelo menos uma década.

Eis que a filosofia vem em socorro dos "desesperate" docentes, compelidos a produzir teoricamente como quem aperta botões. Com todo respeito aos que apertam botões, ensinar, refletir e pensar não obedece, ou pelo menos não deveria, ao ritmo das esteiras rolantes e à rapidez das máquinas que ameaçam decepar dedos menos ágeis.

O problema nisso tudo é que há no mundo universitário quem aderiu à « roda-viva » da competição acadêmica desenfreada que isso acarretou - iniciada pela política universitária de FHC e Paulo Renato, sob a égide do mito da avaliação institucional -, enxergando-lhe os méritos e defendendo-a, cultivando, assim, uma era de novas hierarquizações.

O blog Mídia & Questão Social posiciona-se em favor do ensino, pesquisa e extensão de qualidade, pelo investimento docente e discente no saber, mas combinado também ao aspecto humano da liberdade e vocação científica, ou como diria Olgária Matos, à « felicidade do conhecimento ».


Abraços,


Equipe do blog Mídia & Questão Social
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O crepúsculo dos sábios

Olgária Matos

O conceito de universidade moderna e a natureza do conhecimento que ela produziu até os anos 1960 tinham por objetivo formar o cientista.  Este representava o "mestre da verdade", porque capaz de compreender seu ofício na complexidade dos saberes e da história. Sua autoridade procedia de sua palavra pública, pela qual se fazia responsável. O cientista era o intelectual, e para ele a pesquisa não correspondia a uma profissão, mas a uma vocação. O conhecimento mantinha sua autonomia com respeito às  determinações imediatamente materiais e do mercado. Sua temporalidade - a da reflexão - compreendia-se no longo prazo, garantidora da transmissão de tradições e de suas invenções.

A universidade pós-moderna, por sua vez, converte pesquisa em produção, constrangendo-se à pressa e à produtividade quantificada do conhecimento, adaptando-se à obsolescência permanente das revoluções técnicas, promovidas pelas inovações industriais segundo a lógica do lucro. A temporalidade do mercado confisca o tempo da reflexão, selando o fim do papel filosófico e existencial da cultura. (…) A universidade moderna elevava a sociedade aos valores considerados universais no concerto das nações que procuravam uma linguagem comum ao patrimônio cultural de toda a humanidade, devolvendo-o à sociedade com seus maiores cientistas e seus melhores técnicos.

(…) A universidade pós-moderna é a da indiferenciação entre pesquisa e produção. O intelectual cultivado foi destituído - em todos os domínios do conhecimento - pelo especialista e seu conhecimento
particularizado, cujo contato com a tradição cultural é episódico ou inexistente. Seu discurso não diz mais o "universal" e se limita a formulações técnicas, perdendo-se o sentido do conhecimento e seus fins últimos, com a passagem da questão teórica "o que posso saber" para a pragmática "como posso conhecer". Pra Gunther Anders, o emblema da conversão do intelectual em pesquisador, da razão crítica em desresponsablização ética e racionalidade técnica, foi Fermi na Itália e Oppenheimer nos EUA, cujas pesquisas sobre a bomba atômica foram tratadas por eles em termos estritamente técnicos.

A universidade pós-moderna não lida mais com as "grandes narrativas" nem busca a fundamentação do conhecimento (…) Nada aprofunda, produzindo uma cultura da incuriosidade, imune ao maravilhamento. Em sua pulsão antigenealógica, acredita que tudo o que nela se desenvolve deve a si mesma, não reconhecendo nenhuma dívida simbólica com as gerações passadas. Essa circunstância, por sua vez, pode ser compreendida no âmbito da massificação da cultura e da universidade.

Com a ditadura dos anos 1960 no Brasil, a universidade pública moderna - concebida de início para formar as elites governantes, a partir do ideário de universidade cultural, científica e com suas áreas técnicas - começa sua desmontagem (... ) Face ao ideário moderno baseado no mérito de cada um e não mais no sistema nobiliárquico do nascimento, e sua incompatibilidade com a desigualdade real de oportunidades para a ascensão social, a universidade pós-moderna questiona, contrapondo-os, mérito e igualdade, reconhecendo no primeiro a manutenção do regime de privilégios e distinções do passado.

Assim, a universidade atual adapta-se à fragilidade do ensino fundamental e médio, passando a compensar as deficiências dessa formação. Para isso, a graduação retoma o ensino médio, a pós-graduação a graduação, o doutorado o mestrado, cuja continuidade é o pós-doutorado, tudo culminando na ideia da "formação continuada" e de avaliações permanentes. (…) A iniciação científica se faz para estudantes em preparação para a vida universitária adulta, mas constrangidos a publicações precoces. O paradoxo é grande, uma vez que, maiores as carências nos anos de formação do estudante - como a precariedade no acesso à bibliografia em idiomas estrangeiros e dificuldades de expressão oral e escrita na língua nacional -, mais estreitos são os prazos para a conclusão de mestrados e doutorados. Prazos e métodos, por sua vez, migram das disciplinas científicas para todos os campos do conhecimento, sob o impacto do prestígio da formalização do pensamento (…).Acrescente-se o abandono da ideia de rigor na escrita e o fim do estilo, com o advento do gênero paper e a multiplicação de congressos no mundo globalizado.

Massificada a cultura, proliferaram, com a ditadura militar, a privatização do ensino e seu barateamento, as universidades particulares - salvo as exceções de praxe - prometendo ascensão social e acesso ao "ensino superior" e decepcionando suas promessas. A universidade moderna que a antecedeu garantia o exercício da formação especializada e se encontrava na base dos cursos técnicos com formação humanista para todos os que não se encaminhavam para a pesquisa, devendo atender à profissionalização, mas também à felicidade do conhecimento.

A emergência da universidade pós-moderna diz respeito ao abandono dos critérios consagrados até então a fim de democratizá-la. Mas a democratização pós-moderna é massificação. A sociedade democrática comportava diversas representações das coisas: os partidos representavam as diferentes opiniões, os sindicatos os trabalhadores, a Confederação das Indústrias os empresários. Na sociedade pós-moderna, o consenso é produzido pela mídia e suas pesquisas de opinião, através da eficiência persuasiva da televisão, que primeiramente cria a opinião pública e depois pesquisa o que ela própria criou. Razão pela qual massificação significa perda da qualidade do conhecimento produzido e transmitido, adaptado às exigências de massas educadas pela televisão, com dificuldade de atenção e treinadas para a dispersão, mimadas por uma educação que se conforma a seu último ethos.

A cultura pós-moderna é a da "desvalorização de todos os valores". Sua noção de igualdade é abstrata, homóloga à do mercado onde tudo se equivale. Em meio à revolução liberal pós-moderna, a universidade presta serviços e se adapta à sociedade de mercado e ao estudante, convertido em cliente e consumidor, como o atesta a ideologia do controle dos docentes por seus alunos.

Em seu ensaio Filosofia e Mestres, Adorno diz, temendo incorrer em sentimentalismo, que o conhecimento exige amor. Sua universidade, a de Frankfurt, era moderna, humanista, como era humanista o professor de uma fita italiana dos anos 1970. No filme, estudantes impedem o franzino docente de literatura românica com seus compêndios eruditos de entrar na sala de aula onde discutem questões do curso. Sentado em um banco, o mestre escuta o vozerio e ruídos de cadeiras sendo arrastadas. Por fim é chamado e, quando entra, os estudantes em suas carteiras estão em círculo, e o professor senta-se entre eles. Discutem então o que o professor deveria ensinar-lhes. Como não chegam a nenhum consenso e o dia se faz crepuscular, decidem finalmente deixar que o professor se manifeste. Ao que o professor, retomando seu lugar junto à lousa e diante de todos, anuncia: "Estou aqui para ensinar a vocês a beleza de um verso de Petrarca".

Metáfora rigorosa para a educação, da escola maternal à universidade, o conhecimento, como escreveu Freud, é uma das tarefas mais nobres da humanidade no longo processo de sua humanização.


Olgária Matos é professora de filosofia da USP.

[Fonte: jornal O ESTADO DE SÃO PAULO, domingo, 15 de novembro de 2009]

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Editoria Web@Tecno

Descubram o “Observatório do Direito à Comunicação”.

Nas buscas que fiz durante a semana, no mundo Web, encontrei zilhões de coisas a dividir com vocês. Como não dá para ser tudo de uma só vez, o melhor a fazer é dispor desse pequeno espaço de tempo para pensar mais sobre a escolha. Então, dessa maneira, acaba dando tudo certinho.

Como estamos já próximos da I Conferência Nacional de Comunicação, que acontecerá em Brasília de 14 a 17, achei muito oportuno que buscássemos algum endereço eletrônico que pudesse ampliar mais o nosso olhar sobre a comunicação, em nosso país.

Acessei então um portal interessantíssimo, que trata do direito à comunicação: o Observatório do Direito à Comunicação. Esse portal traz em seu conteúdo a produção da informação e o estímulo ao debate sobre comunicação no Brasil.

Ele é um projeto realizado pelo Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social. O Observatório traz como seu principal objetivo a criação de um ambiente de acompanhamento e reflexão sobre o campo da comunicação, enquanto um direito humano. Pode-se encontrar nele, reunidas e organizadas referências sobre o tema, com o acompanhamento da conjuntura do setor, com a apresentação diária de novos fatos, versões e análises críticas para nós leitores.

A comunicação é abordada numa perspectiva ampla, dentro de um leque que vai desde políticas culturais às questões relativas à propriedade dos meios, até a mais recente discussão sobre a convergência tecnológica e a digitalização da mídia.

Há ainda disponíveis matérias, análises, dossiês e estudos exclusivos que pode nos dar subsídios para uma visão plural sobre o setor.

Encontra-se ainda no Observatório uma biblioteca com documentos, pesquisas e legislação, arquivos de áudio e vídeo, além da “sistematização” das notícias veiculadas nos principais veículos especializados.

Este portal encontra-se em São Paulo. A Equipe tem na Editoria, Cristina Charão; como Repórter, Jacson Segundo; no Conselho Editorial, Bia Barbosa, Bráulio Ribeiro, Jacson Segundo, Jonas Valente, Lídia Neves, Rachel Bragatto e Sivaldo Pereira; o Desenvolvimento fica a cargo do Grito AD e tem o Apoio da Fundação Ford.

Enfim, ta aí a dica dessa semana. Mas, não poderia deixar de reproduzir um vídeo sobre o direito à comunicação, produzido pelo Intervozes Coletivo Brasil de Comunicação Social, com o apoio da Fundação Friedrich Ebert Stiftung, o qual retrata a concentração dos meios de comunicação existente no Brasil.



Intervozes - Levante sua voz from Pedro Ekman on Vimeo.


Roteiro, direção e edição: Pedro Ekman
Produção executiva e produção de elenco: Daniele Ricieri
Direção de Fotografia e- câmera: Thomas Miguez
Direção de Arte: Anna Luiza Marques
Produção de Locação: Diogo Moyses
Produção de Arte: Bia Barbosa
Pesquisa de imagens: Miriam Duenhas
Pesquisa de vídeos: Natália Rodrigues
Animações: Pedro Ekman
Voz: José Rubens Chachá

CC - Alguns direitos reservados


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Você deve dar crédito ao autor original.


Um abraço,

Nelma Espíndola – Assistente Social.
E-mail: nelmaespindola@gmail.com.br